Deixem lá de fazer contas e de queimar os neurónios, que eu explico já de seguida o significado lógico deste título. Ora bem o que se passa é que os últimos tempos não foram muito fáceis e o tempo para escrever posts novos não surgiu na agenda. Assim, vejo-me obrigado a transformar o que seriam três posts diferentes num só único post.
“Turim Carnavalesco…Vabin Street Parade… Torino capitale europea della giuventù… Moviti Torino!!!
Com esta ideia se resume um fim de semana bem passado em Turim, que começa a ser a cidade das “escapadelas” à invernal monotonia astigiana. Tudo começou a meio da semana (Quarta-feira 10 de Fev.) quando chegou a Asti o Bruno, meu amigo voluntário português neste momento a ser “Sviano” em Oradea, na Roménia. Neste dias de semana, foi a minha companhia no trabalho, viu a Radio Dietro, foi “vítima” de uma entrevista na Spleen Webtv (orquestrada pelos meus “pupilos”) onde nem precisou de tradução para as perguntas em italiano e acabou por ter nota positiva no final! E não podia faltar a visita nocturna ao Diavolo Rosso, a igreja que é um bar!!!
Mas com isto chegou o fim de semana… era tempo então de “perder os três” em couchsurfing (ainda só tinha participado num urban hike de couchsurfers) e pela 4ª volta embrenhar-me nas ruas largas e paralelas de Turim. Durante a estadia, conhecemos a Marianna que nos aceitou como couchesurfers e que nos apresentou a Alicia, ambas frequentam o 1º ano do curso de RI “cá do sítio”, as cadeiras eram muito semelhantes. Muito bom o convívio nocturno e com um belo jogo de dados.
Mas o destaque foi principalmente para sábado (13 Fev.)… Devido a Turim ser Capital Europeia da Juventude neste ano, foi organizada uma street parade. A “VabinParade – Youth Street Festival” iria começar no centro de Turim (Piazza Castello) e pelas 15h – depois de mais uma vez ter subido à varanda da Mole e enfrentar o elevador de vidro (desta vez não meteu tanto medo) e estar a contemplar Turim a 86m do chão – as pessoas já se aglomeravam e as carrinhas iam já testando os efeitos sonoros e alguma decoração carnavalesca que combinava com as vestimenta de alguns que por ali andavam. E lá começamos, mas para combinar com aquele sonoro electrónico faltava qualquer coisa no sangue e que não fosse substâncias ilícitas, apesar do aroma delas andar no ar… foi então hora de ir para o supermercado (que não foi fácil de achar, penso que Asti tem bem mais “Di per Di’s” que Turim) não podemos optar pelo vinho pois não havia maneira de sacar a rolha, a cerveja era mais económica mas era “leve demais”, assim sendo a opção foi Martini Rossato para provar claro. Garrafa esvaziada, animação no ar e não havia fim à vista no percurso, já há um bom bocado que tinha deixado a zona que conheço da cidade, a escuridão ia aumentando mas a musica dominada maioritariamente pela electrónica não dava sinais de descanso, mas os nossos pés e pernas já iam dando sinais de fadiga… e desta forma tivemos a coragem então de subir para cima de uma das viaturas, neste caso um atrelado de camião. Continuámos até ao momento em que mandaram sair, parece que tínhamos chegado ao final do percurso. Depois de olhar em volta, vi que estávamos num sitio que me era familiar, reconheci o Borgo Medieval, local visitado na minha última “incursão torina”. Mesmo assim, quem tem boca vai a Roma e perguntei como podia chegar ao centro de autocarro ou a pé. O regresso, diziam que eram uns 3km mas optámos pelo autocarro. Mais uma vez a fazer uso da bela língua italiana, pergunto a uns jovens estudantes, que esperavam na paragem, qual o autocarro que ia para o centro. Mas o momento hilariante está quando eu pergunto se é preciso bilhete. Resposta óbvia do outro lado: Sim! Mas mesmo assim, insisti “Mas é mesmo, mesmo preciso bilhete?” E aí sim veio esta bela resposta aqui traduzida para português: “Não pah! Mandas f**** o “pica” se ele aparecer!!!” E esta foi a deixa para mais um momento de convívio e conversa em italiano. (Cada vez mais tenho a tese de que se estivesse a fazer um SVE em Turim me perdia nesta cidade com um espírito cosmopolita e juvenil). Pena foi que o Bruno perdeu os Dvd’s da videocamera onde estavam os vídeos desta magnifica experiência. Mas aqui ficam algumas imagens…



Aqui fica o video colocado na página oficial do evento…
De 3 para 1…Desistir, nunca!!!
Chegado a casa, domingo a noite, estranhava o facto de estar sozinho em casa, mas pensava eu que as minhas companheiras de casa tivessem de férias para o Carnaval. Mas na manhã seguinte chegava-me a confirmação de que se tinha tratado de uma “fuga”, sim porque na segunda de manhã, os responsáveis italianos ainda esperavam pelas avecs, esperança que desvaneceu totalmente quando reportei o facto de os quartos estarem vazios e “como novos”. Assim, agora passava-se para uma crise momentânea de ter um projecto de SVE preparado para 3 voluntários e que agora restava só 1… Tivemos que reformular todo o projecto para que um voluntário, eu, não tivesse sobrecarregado com o trabalho que era para 3 pessoas. Pena daqueles que receberam um não no processo de selecção e não puderam desfrutar desta experiência, que algumas pessoas não sabem aproveitar e decidem fugir e “meter o rabo entre as pernas” quando surgem adversidades. Eu… desistir, nunca. Não está no meu carácter virar costas aos problemas, eu decido enfrentá-los de imediato, posso por vezes como o caracol, refugiar-me na minha “casca” mas continuo a prosseguir o meu caminho. Foi isso que fiz quase desde as primeiras semanas quando rebentou a “bomba” e que acabou com qualquer relacionamento possível com as outras voluntárias. Passei a ignorar provocações e não “pôr mais lenha na fogueira”, era uma espécie de clima de Guerra Fria, como se os EUA antecipadamente já adivinhassem que a URSS “iria ao fundo” no futuro próximo. Eu sabia que ia aguentar esta situação, pois a minha paixão ao projecto e a todas as suas envolventes indirectas eram bastantes superiores a estes míseros pontos negativos. E acabou-se por confirmar… elas “fugiram”, sim (se vocês se encontrem a ler isto, sim tu Céline e Aurélise, que se deram e, se calhar ainda dão ao trabalho de ler o meu blog na minha língua – facto que me deixa lisonjeado) vocês fugiram. Na minha opinião e felizmente não sou o único a pensar deste modo, o que vocês fizeram foi fugir, sem terem a noção da responsabilidade, do respeito para com as pessoas que vos acolheram por 6 meses, pelo projecto de SVE, pela ideologia do voluntariado, enfim mas a decisão foi vossa e já está tomada… Ao invés, eu vou continuar com a filosofia de que o dia 18 de Setembro de 2009 foi “o primeiro dia do resto da minha vida”, já passaram 6 meses e olho para esta parede e sinto mesmo o slogan de Turim Capital Europeia da Juventude: Your Time!!!
“The Show Must Go On!!!”
Nem mais!!! O trabalho continua, recebi o apoio daqueles que são fundamentais e os pilares na minha relação com o projecto, vou continuar a “surfar na onda” tal como o nome do projecto assim o pressupõe! Entretanto já foi para o ar mais um programa de “Ascolta Tuga”, desta vez dedicado à música da década de 70, toda aquela voz revolucionária de Zeca Afonso, que me deixa motivado a lutar pelo que quero e acreditar que não há impossíveis! Também nas últimas horas foi publicada mais uma das minhas aparições na Spleen Webtv. Eis o video muito cómico, onde se faz a promoção do projecto “Dietro la Musica” que consiste na abertura de uma sala de ensaios, onde músicos menores de 18 anos tem a possibilidade de tocar durante as tardes de segunda, terça e quinta ( Para Mais detalhes vejam o novo video Conferenza Stampa em www.spleenwebtv.it que foi montado com as minhas imagens. Aqui estão dois minutos dos cerca de 20 totais que passamos para fazer este videopromo. Obrigado Alessio! Bom Trabalho! Quero os momentos “cortados”!!! Depois disto só me espera uma final do Ídolos…
Agora, quarta dia 24, vou rumar a outros ares… Roménia será o meu destino por 4 dias. Fiquem por aí e esperem pelas “frescas romenas”, garanto que vão estar aqui publicadas, no meu regresso a Asti. Até lá…
JFSF



