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VoluntAsti

Diário de um voluntário em Asti… acompanhem!!!

Génova… satisfação q.b.

Agora que se aproxima o fim do projecto, pois decidi reduzir o projecto para 10 meses, todos os fins-de-semana são para fazer o belo do “giro”. Tantos são os sítios que quero ainda visitar e a recta final cada vez mais curta que faço um nó no cérebro para meter tudo na agenda.

Com todo esta atmosfera de pensamentos decidi pôr-me andar no domingo passado (dia 23) em direcção a Génova. Estava na dúvida entre Savona e a cidade referência da região da Linguria e tão conhecida pelo seu porto. Acabei por decidir Génova como destino…

Após uma noite com poucas horas de sono, devido aos festejos da vitória dos “nerazzurri” e do “Lo Speciale” Mourinho na final da Liga dos Campeões. Se nas semanas anteriores com as vitórias na Taça e no “Scudetto” só ouvi umas buzinadelas vindas do centro da cidade, desta vez a barulheira estava mais forte e prolongada. E, deste modo, não resisti a sair à rua e ir ao encontro dos festejos dos “interistas”.

Fiquei deveras surpreendido com a quantidade de pessoas que festejavam e cantavam “chi non salta rossonero/bianconero è…” ou “Juve va fan*****”! Para quem nunca festejou um título no meio de tantos adeptos, salvo as vitórias de Portugal no Euro 2004, tudo aquilo era novidade para mim. E para uma cidade que se diz de domínio da equipa da “Vecchia signora” não espera tamanha festa que se implementou em plena Piazza Alfieri.

Com isto tudo, decidi ir no comboio das 9h em vez no das 8h. E ainda bem que o fiz… dormi mais uma horinha e deu para ver tudo (relativamente falando) o que havia para ver em Génova. Cidade do Cristóvão Colombo – apesar do Manuel de Oliveira sustentar no seu filme que ele nasceu em Portugal – cidade de becos e ruelas que lembram Coimbra ou o Porto, na zona da Ribeira.

As cores dos edifícios por outro lado lembravam-me um local bem mais próximo… Cinque Terre. Parece que foi à tanto tempo aquele 3 de Outubro de 2009, onde percorri todas aquelas falésias com as encantadoras cidades tão perto do mar azul.

Pelo meio ouve tempo de ver uma exposição de Fabrizio de André, “cantautore” italiano bastante apreciado aqui na Rádio Dietro, especialmente pela minha tutora Tiziana. Já que era à borla, lá subi ao último andar e percorri as duas salas do palácio, já por si belas com os seus frescos nos tectos e complementada a beleza com as fotos da exposição.

Entretanto depois de ver as ruas principais com os seus palácios ornamentados, chegava à parte marítima. Passear pela marina, cheia de actividade destinada aos mais jovens com torneios desportivos e espaços para jogos.

Hora de almoço com o calor a apertar… perdi os cordões à bolsa e fui para o fresco. Por 18€, comprei o bilhete mais económico para ver o aquário de Génova. Nesta pseudo-cidade turística não existem descontos para estudantes/jovens. Sendo reputado como um dos melhores da Europa e porque estava num espírito de Carpe Diem lá fui ver os peixinhos!

Uma hora e meia depois, era tempo de me perder pelo centro histórico da cidade com os seus marinheiros e moribundos nas suas ruas mais estreitas, tal como dizia o meu guia. Fiz o percurso recomendado. O mapa que me deram no posto de turismo só tinha 10 lugares de destaque e já os tinha percorrido, porém faltava um, que pelos vistos era especial, sendo considerado um dos símbolos de Génova. A famosa “lanterna”, farol principal da cidade portuária.

Ficava no “cu de Judas”, mas como não tinha nada para fazer, siga!!! Pés ao caminho e percorri os cerca de 4km de distância. Se já não estava assim tão deslumbrado com Génova, pior fiquei quando para aceder à “Lanterna” quase me “vi grego” e quando chego lá, digamos que a vista era dominada em primeiro plano pelo gigante porto e muito ao fundo em segundo plano, mas que parecia o quarto ou o quinto, se via a cidade de Génova. Desiludido, desta vez a bolsa ficou fechada e não quis ser chulado com 7€ para subir ao farol. Já nem quis saber do pôr-do-sol sob a cidade e decidi regressar no comboio das 18h em vez do das 19h. Mas como já é habitual, Trenitalia a dar o seu toque de magia… atraso na chegada à estação de Génova de 5, depois 10 e, que acabou com um total de 30 minutos quando cheguei a Asti.

Foi mais um giro, mais uma aventura…

Fiquem por aí

JFSF

PS: Mais fotos em: http://www.facebook.com/album.php?aid=175375&id=698884570&l=4428cf9009

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3 dias na “cidade eterna”

Ciao a tutti

Começo por pedir-vos desculpas pelo atraso neste post… será preciso retroceder um pouco mais que alguns dias para recordar de novo toda esta aventura por Roma, mas cá vai…

Sexta-feira (30 de Abril) começava esta viagem, que não primava desde o inicio por uma organização… tudo para a última e para o risco, por vezes pode dar certo outras nem tanto. Esta era a única possibilidade de rumar à capital italiana por isso decidi arriscar ao máximo.

Após uma quase desilusão devido aos 3 comboios de fim de tarde/noite de sexta para Roma estarem completamente cheios, eis que a Trenitalia decide inovar e me surpreende com a possibilidade de comprar um bilhete de comboio mas a pé, ou seja sem posto garantido segundo o bilhete. -Um insólito italiano que me permitia assim ter 3 dias completos em Roma.

Assim, tinha à minha espera uma viagem de sete horas e meia durante a noite, mas na esperança de sempre encontrar um lugar para repousar, pois em pé é que não ia. Estava determinado a isso, nem que tivesse de me instalar em pleno chão do Expresso (comboio) até Roma. Mas, a sorte esteve do meu lado… e não foi preciso instalar-me no corredor. Este comboio é composto de secções de “camaratas” de camas ou de bancos. Entrei normalmente, vi um lugar livre interessante, sentei-me e pronto para iniciar a viagem quando já passavam poucos minutos da meia-noite e meia. 86 foi o número da sorte para esta viagem… pois era “intruso” para aquele lugar, mas o certo é que até Roma, ninguém veio reivindicar que mudasse de lugar, inclusive o “pica”… menos sorte teve o outro intruso do lugar ao lado que a meio do sono, a quando da chegada a Pisa, teve de procurar outro lugar porque chegou o verdadeiro dono do lugar que ele ocupava.

Comboio apinhado da juventude que seguia para Roma para ver o concerto do 1º Maio, daí os comboios “esgotados”, e que assim proporcionaram um clima festivo no comboio. Pena que estava bloqueado encostado à janela, visto que os senhores que se encontravam ao lado já estavam a dormir, pelo que não quis tar a incomodar para me juntar ao convívio que surgia esporadicamente no corredor.

E então eis que chegamos a Roma. 8h da manhã, estação de Roma Tiburtina e ora aí está a “Bella Italia”… sendo feriado, não havia nenhuma das 2 ligações de comboio para a estação central de Roma até às 9 ou 10h da manhã. Solução?!? Seguir a manada que se dirigia para o metro, e depois de um metro tipo lata de sardinha chegava a Termini e era hora de meter qualquer coisa no estômago… saca-se das bolachas que estavam na mochila e um belo pequeno almoço em plena estação.

Erki, o voluntário estónio, que faz o seu SVE em Messina, Sicília, naquele momento ainda não andava pelas ruas, pelo que decido eu fazer-me a estrada e ver qualquer coisa de Roma, mesmo sozinho. Ora continuava então com o metro, e saia na mais óbvia estação de metro com referência turística… “Coliseo”. Primeiro uma volta de honra por fora, vislumbrar os Forums Romanos que estão nas imediações. Eis que decido então ir à bilheteira, pois “ver por fora” tudo aquilo não me satisfazia… e surgia mias uma admiração no meu rosto… ainda com o “espírito meio aparvalhado” paguei o bilhete que dava acesso ao Coliseu, com a exposição no interior, entrada nos Forums Romanos e no Museu Palatino. Eis a razão da estupefacção… tudo isto só me custou 1€. Roma é amiga dos voluntários!!!

E por ali andei até às 13h … já estava na “ponta” daquela zona, onde se encontra o monumento em homenagem a Vitorino Emanuelle II. Um “gigante branco” de linhas rectas e alguns elementos de estilo clássico. Por trás, lá no alto também  encontra-se o topo de um dos Forums Romanos, tanto para deslumbrar e tudo tão perto.

À tarde rumava ao tal concerto, bastante falado… um calor abusivo, ainda de mochila  às costas (lembram-se  do risco, ora aí está, fui para Roma sem ter alojamento garantido)… cansado da viagem, um sol cada vez mais forte, e a mistura de vinhos sicilianos deu em desgraça e acab o por aqui o relato do dia desta viagem.

Dia seguinte, meio da manhã, continua-se a visitar Roma, com a boa noticia que já teria companhia. Do grupo de voluntários de Roma que conheci na formação, em Abril em Verbania, a Alina respondeu finalmente ao mail e marcámos um encontro na capital. Assim, foi mais fácil ver a cidade, percorremos o centro histório, Piazza di Spagna, Piazza Novara, Parlamento, Panteão etc… Ao fim do dia o cansaço fazia sentir-se de novo, era tempo de ir para o hostel, visto que nenhum dos voluntários me podia hospedar naquela noite. Tempo ainda de fazer um giro nocturno pelo Coliseu e pelos Forums Romanos depois de jantar.

Ao outro dia, era para levantar cedo para não perder muito tempo nas filas. Assim sendo 7:30 da manhã, já tocava o despertador e pequeno-almoço tomado, uma  viagem de metro e às 8:30 estava a iniciar a espera de 1 hora para entrar nos Museus do Vaticano, só para ver a Capela Sistina, porque o resto não me chamava muito a atenção.  Entrei e fui directo aos míticos tectos de Miguel Angelo, pelo meio deslumbrei-me claro está com quantidade impressionante de paredes cobertas de frescos e a decoração exaustiva das salas e corredores… ao inicio do percurso não se vê uma parede branca, nem um único canto se quer… tudo está coberto de autênticas obras de arte pintadas directamente sobre a parede. Um destes exemplos é a Escola de Atenas, bem conhecida dos livros de história e onde passei mais tempo a contemplar toda a sala. Chegado à Capela Sistina vejo que é proibido filmar e tirar fotos, ora porra!!! Mesmo assim, meio à socapa lá tirei umas 3 fotos.

Vistos e revistos o resto dos museus, divididos por temáticas, era tempo de agora ir para a Basílica de S.Pedro. Tendo de sair pelo mesmo local por onde entrei, tive oportunidade de ver o quão felizardo fui… pois agora as filas estão o triplo do tamanho de quando cheguei e o sol está mais forte…

Choque de inferioridade… é isto que se sente quando se entra na Basílica de S.Pedro. Tudo é enorme… em comprimento a basílica tem mais de 160m… em altura não sei ao certo, mas o meu 1,60m de altura fica-se pela base decorada das colunas. As estátuas são o triplo de o tamanho de uma pessoa, ou maiores ainda. A decoração é de esmagar uma pessoa na sua pequenez, mas de enaltecer o esforço humano por detrás da arte presente aos nossos olhos. se já na Capela Sistina, ao deslumbrar os tectos pintados, imaginamos como é que Miguel Ângelo conseguiu pintar tudo aquilo em 4 anos  e como fazê-lo com os andaimes especiais… ali ao lado, na Basílica de S.Pedro sentimos que qualquer grande edifício que já tenhamos visitado, é pequeno comparado com o tamanho da basílica. A Pietà infelizmente encontra-se protegida por um vidro depois de ter sido alvo de um ataque… mas mesmo assim encanta qualquer um, mesmo sendo um nabo em análise de obras de arte.

Agora para concluir só faltava subir à cúpula… 164 m de altura… 551 passos, segundo o aviso na bilheteira… quase meia hora para chegar lá cima, porque as estreitas escadarias de acesso estão entupidas de gente… mas depois de lá estar, compensa todo o esforço. Ver Roma daquela varanda, aquela altura é magnifico… a Piazza de S.Pedro mesmo de lá de cima não fica muito mais pequena, as pessoas isso sim, “transformam-se” em formigas! Descer foi muito mais fácil…

Aproveito para fazer agora o percurso a pé recomendado pela National Geographic Traveler’s, afinal nem tudo foi desorganização, saca-se do notebook onde estava tudo apontado e com o mapa ao lado percorre-se o Castelo e as ruas principais, alterando-se depois a parte final do percurso, pois já tinha visto a Piazza Novara e ainda não tinha visto a Fonte de Trevi. Pelo meio ficou mais uma almoço saudável de fast food no Mac.

O resto da tarde foi para percorrer o Circo Massimo e a ver a famosa Boca da Verdade. Mais coisa menos coisa e já tinha visto o best of Roma… depois foi aguardar então pela Alina para mais um encontro para um roteiro turistico Roma by night… antes da despedida e de uma viagem nocturna de comboio para rumar de novo ao Norte de Itália (ao menos desta vez já iria ter lugar garantido). Um apperittivo num bar bastante à frente, ao género de um Feito Conceito de Coimbra… um Mojjito bem fresquinho, uma comidinha vegetariana, onde se destacou uma maçã com canela… e pouco depois percorria-se as ruas daquela zona de Roma, que é tão distinta de outras partes da cidade.

O comboio que supostamente partiria às 23:30, mas como já me habituei, não posso fazer nenhuma viagem sem a Trenitalia pregar uma das suas. Ai tens lugar garantido, então espera lá que levas com um atraso de 1h que até te esticas!!! Encontrado o lugar respectivo ao bilhete foi tentar dormir até Asti…

À minha espera tinha um belo dia de chuva e um encontro à tarde com Arturo, mexicano de 21 anos, que vem viver para este apartamento. Não é voluntário nem nada que se pareça, mas pelo menos não estarei a viver sozinho… O mais incrível é que a mãe dele habita no mesmo prédio mas dois andares abaixo… e vamos ver como vai ser esta nova vivência…

À noite, tal era o entusiasmo com Roma, decidi ver uma vez mais o filme Anjos e Demónios, só para ver de novo todos os locais que tinha percorrido dias antes…

FOTOS: album no facebook: http://www.facebook.com/album.php?aid=169438&id=698884570&l=65dda8b741

Até uma próxima

JFSF

Un posto belissimo… un gruppo fantastico! Formazione all’arrivo – Verbania 13 a 21 Aprile 2010

Hoje escrevo em duas línguas, porque penso que este artigo também deve ser lido por aqueles que partilharam comigo todos os belos momentos nestes 9 dias em Verbania.

Oggi scrivo in due lingue, perché penso che quest’ articolo dovrebbe essere letto per quelli che hanno condiviso tutti i belli momenti  in questi 9 giorni a Verbania.

Chegada e primeiros momentos – Arrivo e primi momenti

Verbania é uma cidade belíssima à beira do Lago Maggiore, entre as regiões de Piemonte e Lombardia e com a Suiça por perto. Do lago os nossos olhos vêem as belas montanhas, com os picos cobertos de neve, no horizonte. Um cenário perfeito!

Verbania è una cittá belissima in torno al Lago Maggiore, tra le regione di Piemonte e Lombardia, e con la Svizzera vicina. Dal lago i nostri occhi guardano le belli montagne con le vette coperte di neve al l’orizzonte. Uno scenario perfetto!


Dia 13 de Abril por volta das 7:00 da manhã começava a viagem para, após 7 meses em Itália, receber a formação de chegada. Por volta das 11:00, 200 km depois, 4 viagens de comboio (com cada uma a ter uma duração inferior a 1h) e 1 viagem de autocarro e 10 minutos a andar a pé… finalmente chegava ao Hotel Castagnola. Entretanto, já tinha conhecido a Julia, voluntária alemã aqui na região de Piemonte, e seríamos os únicos representantes desta região.

Giorno 13 Aprile, quasi 7:oo della mattina cominciava il viaggio per (dopo 7 mesi in Italia) avere la formazione all’ arrivo. In torno alle 11:00, 200 km dopo, 4 viaggi in treno (da mezz’ ora), 1 viaggio in pullman e 10 minuti a piedi… finalmente arrivavo all’ Hotel Castagnola. Durante il viaggio, avevo giá conosciuto Julia, volontaria tedesca in Piemonte…  saremo gli unici rappresentanti di questa regione.

Depois de tirar a mochila das costas e da burocracia da papelada acabar, começava o contacto com outros voluntários que já tinham chegado mais cedo, Marta (Polónia), Lena (Alemanha) e Güller (Turquia), todas juntas no mesmo projecto em Roseto di Abruzzo. Também cumprimentava Oltjon da Albânia e Elviss da Letónia, ambos da distante Puglia, mais concretamente de Altamura, perto de Bari. Momentos depois, a primeira de muitas boas refeições, servidas em buffet e que durante os 9 dias seguintes iam encher o estômago até ao limite.

Dopo essermi tolto lo zaino dalle spalle e avere finito la burocrazia dei documenti, cominciava il contatto con altri volontari che erano già arrivati prima, Marta (Polonia), Lena (Germania) e Güller (Turchia), tutte insieme nello stesso progetto a Roseto di Abruzzo. Anche salutavo Oltjon dell’ Albania e Elviss della Letonia, entrambi dalla regione  più lontana, la  Puglia, e per essere precisi da Altamura, vicino a Bari. Subito dopo… il primo di molti buoni pasti, serviti in buffet e che durante i 9 giorni seguenti andranno a riempire lo stomaco fino al limite.

A tarde começaria com a chegada do primeiro companheiro de quarto, Julien, françês oriundo de Cervia na Emilia-Romagna, onde participa num projecto bastante interessante com insectos, borboletas e praia a 5 min de ditância. Pouco depois girava-se a bola entre todos para se começar a memorizar os nomes. E para finalizar a tarde, um belo teste de italiano para saber em que nível linguístico estamos.

Il pomeriggio iniziava con l’ arrivo del  mio primo conquilino di stanza, Julien, francese venuto da Cervia, Emilia-Romagna, dove participa in un progetto molto interessante con gli insetti, farfalle e spiaggia a 5 minuti di distanza. Poco dopo si girava la palla fra tutti per cominciare a memorizzare i nomi. E per finire il pomeriggio, un bel test di italiano per sapere in che livello linguistico stiamo.

À noite, tivemos o primeiro contacto nocturno com Verbânia. Não sendo ainda época alta para receber turistas, não se encontra muita movimentação pelas ruas e quando mais de 20 pessoas entram no bar, nasce a confusão de mesas e cadeiras, mas houve convívio entre todos.  No regresso ao hotel, eis que damos de caras com Erki, sobrevivente de uma viagem de 30h desde Messina, na Sicília… estava assim completa a equipa do quarto 122!!!

Alla notte, abbiamo avuto il primo giro notturno in Verbania. Non essendo ancora alta stagione per i turisti, non abbiamo trovato molto movimento nelle vie e quando più di 20 persone entrano in un bar, nasce la confusione di tavoli e sedie, ma è stato un buon modo per socializzare con tutti. Nel ritorno all’ hotel, ecco qui troviamo Erki, sopravvissuto ad un viaggio di 30 ore da Messina in Sicília… stava cosi completa la squadra della stanza 122.

Ao trabalho! Al Lavoro!!!

Foram dias intensivos de trabalho, o cansaço surgia principalmente nas tardes. Intercultura, modos de comunicação, competências do youth pass, direitos e deveres dos voluntários foram alguns dos temas das sessões de trabalho. E não posso esquecer o surpreendente curso linguístico que decorria depois do  “energizer” matinal.

Sono stati giorni intensivi di lavoro, la stanchezza  è sorta principalmente nei pomeriggi. Intercultura, modi di comunicazione, competences dello youth pass, diritti e doveri dei volontari sono stati alcuni dei temi dei laboratori. E non posso dimenticare  lo stupefacente corso di lingua che si realizzava dopo l’ “energizer” mattutino.

Aqui, divididos em dois grupos, melhorámos as nossas capacidades na língua italiana. Conjuntivo, condicional, preposições, novas palavras como “pignolo”, prática oral e a linguagem gestual do italiano e os seus dialectos… tudo isto foi ensinado por Tommaso e Alecssandro. Destaque ainda, para a visita ao Museu del Paesaggio, as exposições de Ex-votos e de modelismo… onde aprendemos coisas novas sem nos sentirmos fechados dentro de quatro paredes.

Qui, divisi in due gruppi, abbiamo migliorato le nostre capicità nella lingua italiana. Congiutivo, condizionale, preposizioni, nuove parole come “pignolo”, pratica orale e linguaggio gestuale dell’ italiano e i suoi dialetti… tutto questo è stato insegnato da Tommaso e Alessandro. Ancora una pausa!… per la gita al Museo del paesaggio, le mostre di Ex-voti e di modellismo… dove abbiamo imparato cose nuove senza sentirci chiusi dentro quattro mura.

Um dos momentos mais marcantes foi aquele jogo onde houve dois vencedores. Sim!!! Zorka e Marcin, também nós vencemos o jogo do crocodilo e do rio. O jogo seria uma grande ajuda no trabalho de construção de um grupo. Atados pelos tornozelos, onde pelo meio uma pessoa tinha os dois pés atados e outra pessoa com os olhos vendados, que deviam ser ajudadas por quem estava mais próximo. Deste modo, o trabalho de equipa, a união, a cooperação e a solidariedade eram postas em prática para seguir em frente e atingir o objectivo, que aqui era diverso para as duas equipas.  A prioridade era que todos estivessem bem, a estratégia era comum… todos juntos fomos mais fortes e conseguimos passar as dificuldades impostas.

Un dei momenti più impressionanti è stato quello del gioco dove abbiamo avuto due vincitori. Si!!! Zorka e Marcin, anche noi abbiamo vinto il gioco del coccodrillo e del fiume. Il gioco è stato un grande aiuto nel lavoro di costruzione di un gruppo. Legati per le caviglie, dove nel mezzo doveva andare una persona con i piedi legati insieme, e un’ altra persona con gli occhi bendati, e che dovevano essere aiutati  dalle persone che stavano più vicino.  In questo modo, il lavoro di squadra, l’ unione, la cooperazione e la solidarietà erano messi alla prova per andare avanti e ottenere l’obiettivo, che era diverso per le due squadre. Tutti sono stati bene, la strategia era comune… tutti insieme siamo più forti e siamo riusciti ad affrontare le difficoltà imposte.

Depois do trabalho… o prazer! Dopo il lavoro… il piacere!

Era nestes momentos todos os dias depois de almoço – onde se relaxava ao sol ou se fazia um passeio até ao lago – nas pausas ou ao fim do dia, que o grupo fortalecia as suas relações… uns juntavam-se à conversa nos sofás, outros preferiam dar uns passos de dança e, os mais atléticos (incluindo também pessoas do sexo feminino), queimavam as calorias das refeições com o basquetebol e com o futebol. Talentos individuais se realçaram: os “maestros” Stephen, no futebol,  e Tommaso no basquetebol, pequenos mas bravos!; os “finalizadores”, ambos no basquetebol, Julien e Katharina; Melhor guarda-redes, da Letónia, Zita, que até com a cabeça defendeu, exibição 5 estrelas, evitando o êxito dos avançados adversários, onde se destacava Julia.

Era in questi momenti, tutti i giorni dopo il pranzo – dove potevamo rilassarci al sole o si faceva un giro fino al lago – nelle pause o alla fine dei lavori, che il gruppo ha rafforzato le sue relazioni… alcuni  si riunivano sui divani per parlare, altri preferivano ballare e, quelli più atletici (compresi persone dello sesso femminile), bruciavano le calorie dei pasti giocando a pallacanestro e a calcio. Talenti individuali si sono rivelati: i “maestri” Stephan, nel calcio, e Tommaso nella pallacanestro, piccoli ma bravi!;  i finalizzatori, ambedue nella pallacanestro, Julien e Katharina; miglior portiere, della Letonia, Zita, che anche con la testa ha difeso, una esibizione a 5 stelle, evitando l’esito degli  avversari, dove spiccava il talento di Julia.


Passeio às ilhas! Giro all’ isole!

Após alguns dias  de trabalho, chegava finalmente a tarde livre para fazermos o que quisermos e aproveitarmos para conhecer o local. De inicio ponderava-se visitar a vizinha Suiça, mas depois como era só uma tarde livre não havia tempo para tudo e não queríamos ficar retidos do outro lado da fronteira.

Dopo alcuni giorni di lavoro, è arrivato finalmente il pomeriggio libero per fare quello che vogliamo e approfittare per conoscere il luogo. All’ inizio si pensava di visitare la vicina Svizzera, ma poi visto che avevamo solo un pomeriggio libero, non c’era tempo per tutto e non volevamo restare bloccati al di là della frontiera.

Assim, restavam as propostas das ilhas, do jardim com flores de todo o mundo, a visita às cidades de  Intra, Stresa ou Arona. O “capo” tentava saber pormenores de bilhetes, horários, pontos de interesse etc, e contou também com a preciosa ajuda turística de Tommaso. A grande maioria acabaria por optar pela visita às ilhas.

In questo modo, restavano le proposte delle isole, del giardino con fiori di tutto il mondo, la visita alle città di Intra, Stresa o Arona. Il “capo” tentava di conoscere i dettagli per comprare i biglietti, orari e punti di interesse ecc, e ha avuto il prezioso aiuto turistico di Tommaso. La grande maggioranza alla fine ha scelto per il giro all’ isole.

E lá fomos nós… depois de uma almoço veloz,  e depois de esperar como sempre pelas espanholas… partimos em direcção ao lago para apanhar o barco que nos levaria para a primeira paragem. Após um momento de confusão para pagar os 252€ dos 24 bilhetes, que não podiam ser pagos um por um, por motivos de mau feitio da funcionária e só faltavam 5 minutos para o barco partir. Trocos feitos… tudo pago. Tudo pronto para entrar no barco e desfrutar do belo dia com um sol e céu azul por cima de nós do lago e das montanhas circundantes.

E siamo andati di la… Dopo un pranzo veloce, e dopo di aspettare come sempre per gli spagnoli… siamo partiti in direzione del lago per prendere la nave che ci portava per la prima fermata. Poi un momento di casino per pagare i 252€ per 24 biglietti, che non potevano essere pagati uno per uno, per motivi di malumore della funzionaria e solo mancavano 5 minuti per la nave partire. Resti fatti… tutto pagato!  Tutto pronto per entrare nella nave e fruire del bello giorno con un sole e cielo blu sopra noi, del lago e delle montagne in torno.


Primeira paragem: Isola Bella… tempo de percorrer as estreitas ruas e ver o que era gratuito. Vida de voluntário é assim! Depois seguia-se a Isola Superiore ou Isola dei Pescatori. Mas de repente o tempo muda e deixa de estar o dia agradável  de sol e surge um vento que incomoda bastante e uma ameaça constante de chuva. Mudança de planos, tomada de decisões e plano B em acção! Os mais aventureiros continuariam a seguir a proposta do “capo” (muito obrigado aos 12 que ficaram até ao fim ;-)) e continuariam no barco mais uns minutos e foram a Villa Taranto. Tínhamos 15 minutos para ver o que havia para ser visto. Logo do outro lado da estrada encontrava-se o tal jardim recomendado para visitar, mas ficamos pela entrada, perguntamos o caminho de regresso a Pallanza e como são só 2km de distância, decidimos fazer o caminho de regresso a pé. Um percurso entre o lago e o jardim e depois por entre as moradias até ao hotel. E terminava a nossa tarde livre.

Prima fermata… Isola Bella… tempo per percorrere le stretti vie e vedere quello che era gratuito. Vita di volontario è cosi! Poi in seguito l’ Isola Superiore o Isola dei Pescatori. Ma di subito il tempo cambia e già non sta il bello giorno di sole e sorge un vento che dà abbastanza fastidio e una costante minaccia di pioggia. Cambiamento di piani, si prendevano decisioni e piano B in azione! I più avventurieri hanno seguito la proposta del “capo” (grazie mille agli 12 che hanno restato fino al fine ;-)) e continuavano nella nave un paio di minuti in più e sono andati a Villa Taranto. Avevamo 15 minuti per vedere quello che c’era da visitare. Subito nell’ altro lato della strada si trovava il giardino raccomandato per visitare, però restavamo al ingresso, abbiamo domandato il percorso di ritorno per Pallanza e como erano solo 2 km di distanza, abbiamo deciso di fare il ritorno a piedi. Un percorso mentre il lago e il giardino e dopo mentre i palazzi fino al hotel. E finiva il nostro pomeriggio libero.

Máfia, Imigrantes e Partigiani… Mafia, Migranti e Partigiani…

Durante estes dias, estivemos em contacto com realidades históricas, políticas e sociais que foram vividas e, algumas ainda persistem actualmente em Itália. Numa das tardes, fomos divididos em dois grupos onde se discutiram a máfia e da imigração em Itália. O fenómeno da máfia seria novamente abordado numa sessão de cinema, onde vimos o filme “I Cento Passi”, filme  em homenagem a Peppino Impastato, um dos opositores da máfia e que foi morto (assassinado) a 9 de maio de 1978.

Durante questi giorni, siamo stati in contatto con realtà storiche, politiche e sociali che sono state vissute e, alcuni ancora persistono attualmente in Italia. In uno dei pomeriggi, siamo divisi in due gruppi dove si hanno discussi la mafia e la immigrazione in Italia. Il fenomeno della mafia sarebbe nuovamente abbordato in una serata di cinema, dove abbiamo visto il film “I Cento Passi”, film in omaggio a Peppino Impastato, uno dei oppositori della mafia uccisio (assassinato)  il 9 maggio del 1978.

A dois dias do fim… Numa manhã acordámos e fomos à casa da resistência…Conhecer melhor aquelas pessoas que lutaram contra o fascismo e nazismo. Um local especial que não se deve esquecer  quando se celebra o dia da Libertação de Itália no 25 de Abril

A due giorni dalla fine… Una mattina siamo svegliati e andati alla casa della resistenza… Conoscere meglio quelle persone che hanno lottato contro il fascismo e il nazismo. Un posto speciale che non si deve dimenticare quando si festeggia ogni anno il giorno della Liberazione della Italia nel 25 aprile.

As noites internacionais! Le serate internacionale!

Mais uma união perfeita! Se havia um “capo” para organizar e orientar todo o grupo quando era necessário… Havia também um “Sub-capo” mais destinado às actividades nocturnas. João “Il Capo” e Julien “Il Sub-Capo”, a dupla organizadora das noites internacionais… obviamente considerados como “inimigos” pela comitiva  do retiro espiritual. 122 o quarto ruidoso numa das noites… o mesmo lugar, que na última noite recebeu os “anti-sono” e que queriam continuar o convívio na despedida… Jogámos ao “Eu nunca…” com confissões impressionantes e sempre com grande clima de animação até às 4h da manhã.

Più una unione perfetta! Se c’è stato un “capo” per organizzare e orientare tutto il gruppo quando c’era bisogno… è stato anche  un “Sub-capo” più concentrato nelle attività di notte. João “Il Capo” e Julien “Il Sub-Capo”,la coppia organizzatrice delle serate internazionali… ovviamente considerati come “nemeci” della comitiva del ritiro spirituale. 122 la stanza rumorosa in una delle notte… lo stesso posto, che nella ultima notte ha ricevuto gli “anti-sonno” e che volevano continuare il convivio nella congedo… Abbiamo giocato al “Io non mai…” con confessioni impressionanti e sempre con grande ambiente di animazione fino alle 4 della mattina.

Mas primeiro recordemos as noites anteriores… ficaram na memória as apresentações dos representantes dos países. As melhores… a apresentação de 1 minuto e meio da República Checa, ou o romance entre as personagens do video da Estónia! Depois havia os momentos de Karaoke… “Felicitá”, “Lasciatemi Cantare”, “Laura non c’è”, “Ma il cielo è sempre più blu” ou ” Sarà perchè ti amo” foram as mais cantadas das noites. Actuações cheias de vida e dignas de estarem presentes em qualquer edição do Festival Eurovisão. Para dançar, havia o ritmo “caliente” das músicas espanholas onde se juntava o gosto pela dança de Marcin, Stephen, Diana, Fatima, Natalie, Jan e outros.

Ma prima ricordiamo le serate precedenti…sono  rimasti nella memoria le presentazione dei rappresentanti dei paesi. Le migliore… la presentazione di 1 minuto e mezzo della Republica Checa, o il romanticismo mentre i personaggi del video dell’Estonia. Dopo aveva i momenti di Karaoke… “Felicitá”, “Lasciatemi Cantare”, “Laura non c’è”, “Ma il cielo è sempre più blu” o ” Sarà perchè ti amo”  sono stati le più cantati delle serate. Spettacoli pieni di vità e degni di essere presenti in alcune edizioni del Festivale Eurovision. Per ballare, aveva il ritmo “caliente” delle canzione spagnole dove se aggiungeva il piacere per la danza di Marcin, Stephen, Diana, Fatima, Natalie, Jan e altri…


Para finalizar, agradeço, uma vez mais, a todos os presentes pela partilha de todos estes momentos comigo. Foram nove dias fantásticos! Agora é manter o contacto e esperar que estejamos todos juntos de novo em Nápoles para a formação intermédia.

Per chiudere, ringrazio, una volta di più, a tutti i presenti per la condivisione di tutti questi belli momenti con me. Sono stati nove giorni fantastici! Adesso è mantenere il contatto e aspettare che staremo tutti insieme di nuovo a Napoli per la  formazione intermedia.

Il “Capo” per tutti voi

João

A minha “Pasco-Polo-Novela”…

Olá de novo, caros companheiros de aventura (ler isto também é aventuroso)… hoje trago-vos uma novela de época de Páscoa por terras polacas.

Desta vez, tudo começava no último dia  de Março (terça) e de forma desgastante com uma entrada no “ufficio” às 10:30 e saída, sem interrupções, às 18:00. No mínimo saturante o facto de uma impressora dificultar ao máximo a publicação de um renovado jornal Menabó, que contou com as minhas capacidades de Quark (obrigado ao Tiago pelo suporte técnico) para transformá-lo daquilo que era no ano passado, sendo feito anteriormente em Publisher. Mas largando tudo isto para trás… restava-me preparar a mochila e “zarpar” para Milão e depois seguir para Bergamo para mais uma noite num aeroporto italiano (a 4ª desde Setembro).

Tudo em ritmo apressado, com passagem ainda pelo McDonald’s para um jantar “take away” no comboio… mas até podia ter desacelarado um pouco, pois ainda fiquei com uma margem de 10/15 min de tempo vazio na estação. Chegava duas horas depois a “Milano Centrale”, a estação gigantesca com 24 linhas alinhadas e onde estão sempre (ou quase) a sair comboios para os mais variados destinos. Poré, o resto da minha viagem não seria em comboio, mas sim de autocarro… e só às 4:00 da manhã… Assim, tive agora tempo de voltar ao mítico banco/cama de pedra de 2006, tirar fotos a comboios e ao edifício da estação, que agora engloba a modernidade (como outdoors gigantes do Cristiano Ronaldo, D&G etc.) com o antiguidade clássica de linhas arquitecturais romanas.

"Chaimite" regional italiano

Antes de entrar para o autocarro, ainda tive tempo de conhecer mais duas “tugas”, primas afastadas dos “sverianos”, eram “erasmus” em Turim, malta do norte de Portugal e estudavam Serviço Social, ficando um pouco admiradas com o SVE. Depois da conversa veio o sono e chegava ao aeroporto. Ali, pela primeira vez vi um aeroporto dominado pela geração 18-30 anos, com muitos estudantes a passarem ali a noite antes de iniciarem as suas “pasco-novelas”. Mais uns encontros indirectos com estudantes portugueses e depois vinha então o check-in, após alguns instantes de “olhos fechados” sentado no belo banco de metal, mas o barulho ora de conversas, ora de constante chegada de pessoas, ou do irritante veículo de limpeza não permitiram uma soneca que satisfizesse as necessidades de repouso.

I – Katowice/Auschwitz

Pelas 8:30, descolava rumo a Katowice, na Polónia, com o primeiro objectivo de rumar sozinho a Auschwitz e depois então reencontrar o companheiro de viagem, Bruno que chegaria da Roménia… Tempo de trocar os euros por zlots, 40€ transformaram-se em 139,40 PLN. Pronto, agora, para embarcar para o centro de Katowice, num autocarro bastante moderno, ao nível dos novos SMTUC de Coimbra. Entretanto começava aquilo para o qual estava previsivelmente alertado, a chuva, que cada vez mais forte me acompanhou na procura dos tais autocarros frequentes de ligação a Auschwitz (como estava previsto no sitio do museu), mas após percorrer duas praças e paralelas e passar por duas gares de autocarros, só tinha a possibilidade de um autocarro às 16h, mas esta era a hora de fecho do museu. Contudo nada de desesperar e de desilusão, “pernas para que te quero” e siga para a estação de comboios e fazer o plano B funcionar, sabia através do sitio do museu que poderia apanhar um comboio para Oswiecim e depois fazer a pé os 2/3 km que separam a estação do campo/museu. Nada de temer a chuva, pois a vontade de lá ir era mais forte.

E assim foi, chegado à estação tentar saber se tinha comboio e se o horário era compatível com os meus tempos. Porreiro, tinha um comboio às 12:38 e a distância era só de 33km e o preço de apenas 4 zlots (cerca de 1€). Uma pizza pequena (1,80PLN = 0,50€) a servir de “tapa-fome”.

Mais um desenrasco e momento “Anti-Atado”… já tinha o bilhete e a plataforma onde o comboio ia chegar, mas chego à linha 3 e vejo que para a mesma plataforma havia duas linhas, uma à esquerda e outra à direita. Esperava então, ali no meio, pelo comboio a ver de que lado vinha. Chegou o primeiro, mas o horário não era aquele que me tinham dito. Do outro lado, pouco depois, chegava outro e com a hora de partida exacta daquele que devia apanhar, mas quando pergunto, apontando para o bilhete e para o comboio, enquanto explico em inglês se devo ir naquele comboio… dizem-me que não sabem ao certo, mas que não devo ir porque o comboio não vai para lá. Entretanto vejo dois “picas” ao fundo, toca a correr e novamente o mesmo gesto, mas desta vez eles não percebem inglês, mas respondem com um claro “Nein, nein!!!” que aquele não era o “meu” comboio.

Instantes depois… já passava da hora prevista para o tal comboio e, eis que chegam ao mesmo tempo dois comboios, nova indecisão esquerda/direita… de uma lado um comboio com a hora de partida correcta (12:38), do outro o comboio com o destino exacto (Oswiecim). Pergunto novamente se era o comboio correcto e confirmam-me que sim. Não esperava, no entanto, que este comboio, com uns bancos de plástico (mas aquecidos), demorasse uma hora para fazer 33km. Já desesperava por chegar lá, pois queria fazer a visita guiada que dura 3 horas com guia e inglês… finalmente cheguei e faltavam 15 minutos para as 14h. Toca a correr para fora da estação. Escolho uma vítima para mais uma interrogação, escolha difícil porque não havia malta jovem ali perto… “Que se lixe!!! Se não vai com inglês, vai com gestos!!!”. Chego perto de uma senhora com uns 50 anos e já com o dedo a apontar para a palavra “AUSCHWITZ” no notebook. Ela pergunta-me se eu falo alemão, peço em inglês, ela riu-se e diz que é difícil, mas em alemão ou polaco lá me explicou o caminho e com os gestos tornou-se claro… Dou “corda aos sapatos” e sigo caminho, de acordo com as instruções dadas, ir pela estrada à direita da estação, até encontrar uma rotunda e virar à esquerda e andar até ao fundo. No entanto, chego a esta rotunda e uma placa indica-me para seguir o tal caminho a esquerda, e outra placa para outro lado, felizmente passa uma senhora da mesma idade da anterior, na sua bela “pasteleira” e indica-me com toda a simpatia e em inglês a direcção correcta.

Uns passos apressados, ao lado das linhas de comboio, e chego a Auschwitz, porém chegando ao museu, dizem-me na recepção que já não havia naquele dia mais visitas guiadas, optei então por comprar um guia (mas de papel por 8zlt/2€). Peço um guia em inglês, mas a funcionária pergunta-me de onde venho, digo Portugal, e ela responde, “Então deve preferir um guia em português…” e eu admirado com o facto de existir na nossa língua digo que sim.

14:02… Chego ao mítico portão de entrada… lá estava a famosa frase “Arbeit macht frei” e começo a percorrer as várias instalações, que alojam agora algumas exposições dedicadas ao Holocausto. Debaixo de chuviscos que dificultavam as fotos, tinha uma hora para ver o campo e mais outra hora para ver o segundo campo “Auschwitz II – Bikernau”, o recomendado pelo museu é 1:30 para cada um. Aqui o choque obtêm-se quando se entra e vê-se as fotos, quando se olha para as paredes “originais”, quando vemos a grossura do arame farpado nas vedações. Mas é maior quando entramos na sala de provas do Holocausto, após visitá-la não sei como há pessoas que negam o Holocausto. Na caserna chamada “Pavilhão da Morte” encontramos, divididos por salas, vários objectos dos prisioneiros, por exemplo,  malas, escovas, panelas, próteses, óculos e roupas de bebés. Destaque visual também para o “Paredão de Execuções”, que faz com que nos venha a memória o filme “A vida é bela”. No topo de emoções, está a câmara de gás e o crematório I.

"Paredão das Execuções"

Crematório I

Às 15:30 apanhava o autocarro gratuito Bikernau, o segundo campo de concentração de Auschwitz. Ainda bem que o horário de fecho (16h) não é executado ao minuto. Acabaria só por sair deste recinto às 17h… Para trás fica o valente “murro no estômago” que é esta visita, se em Auschwitz I já é marcante, em Bikernau é a dobrar… Primeiro o “Portão da Morte” e  depois a extensão deste campo, aqui já não há instalações em tijolo, mas sim em madeira. As exposições dão lugar a ruínas de vários crematórios e câmaras de gás.

Barracão em estado original
"Portão da Morte"

II – Cracóvia

Agora era tempo de caminhar para a estação de comboio, depois disto tudo só uma distracção deste tipo, poderia fazer-me rir… vislumbro nada menos que uma “casa de meninas” chamada “Hot Spot Club”, pela fresta da porta entreaberta vejo as óbvias luzes vermelhas e duas “profissionais da casa”. Tudo isto instalado num “quadrado pré-fabricado” no passeio junto à estação de comboio. E às 17:38 partia num pequeno mas bastante acolhedor comboio, uma mistura de urbano do Porto com o metro da mesma cidade. O bilhete, para fazer 65 km até Cracóvia, custou-me uns módicos 8zlt/2€.

E 2 horas depois chegava à estação e encontrava o Bruno e a Anna a pessoa que nos ia hospedar. Umas voltas a mais pela cidade porque a desorganização do Bruno veio ao de cima… não escreveu o nome do ponto de encontro  e depois, como é claro, não sabia como se chamava e não se recordava onde era. A Anna levou-nos então para um pub com música anos 70 e 80 e aí deu-se o contacto com a cerveja polaca.

No dia seguinte, uma visita por Cracóvia. Famosa pelo seu centro histórico (Stare Miasto), onde está a cidade antiga, e também pelo seu bairro judeu (Kazimierz), onde se encontram preservadas as marcas do passado judeu e onde foram filmadas algumas cenas do filme “A Lista de Schindler”. Acabámos aqui por provar  uma iguaria gastronómica a “Zapienka”.Ruas cheias de edifícios do período Gótico e Renascentista. Igrejas em todas as esquinas, pois aqui por este lado a religião têm um peso forte na sociedade, estes tempos de Páscoa são vividos de tal forma intensa, que encontrei filas com mais de 50 pessoas para fazerem confissões e a couchsurfer que nos hospedou, apesar dos seus 22 anos, ia levantar-se às 6:00 da manhã para preparar a celebração da Páscoa.

Cracóvia é sem dúvida uma das mais belas cidades europeias e cheia de histórias engraçadas. O seu símbolo remonta para um dragão que habitava numa gruta que, hoje com mais de 12 milhões de anos, continua de pé e visitável nas profundezas do castelo da cidade. Mais tarde, numa das barraquinhas na praça central comprei uma miniatura deste dragão e perguntei pela história do dragão… Reza a lenda que este dragão comia todas as virgens da cidade, certo dia chegaria a hora da filha do rei. Este na disposição de evitar trágico cenário lançou o desafio de dar a mão da sua filha a quem matasse o temível dragão. O dragão foi morto de uma forma curiosa, o herói venceu-o de uma forma original. Cozinhou um grande carneiro de uma forma muito picante e ofereceu ao dragão. Quando este  acabou de comer, tinha tanta sede que acabou por beber toda a água do rio ao lado do castelo. Tanta foi a água que bebeu que acabou por rebentar e morrer. Após tudo isto só faltava fazer uma coisa em Cracóvia, ir para a Rynek Główny (praça principal) e ouvir a Hejnal Mariacki música tocada de trompete a cada hora em homenagem ao trompetista morto, em 1241, na tentativa de avisar que o inimigo (Tartars) se aproximava da cidade.

PS: Mais fotos de Cracóvia, só depois de 11 de Abril…

III – Varsóvia

Sexta-feira, dia de mudar de ares e seguir para a capital, Varsóvia. 292 km percorridos em 3h de comboio, por menos de 10€. A capital polaca, infelizmente não teve a mesma sorte que Cracóvia, e foi dizimada na II Guerra Mundial, tendo agora uma parte da cidade velha conservada, sendo a parte mais bonita da cidade. É aqui que se encontram as suas praças famosas pelas esplanadas solarengas. Esta não é a melhor época para visitar, porque anda tudo doido com a Páscoa e os museus estão fechados, mas o bom tempo começa a surgir, os chuviscos habituais na Primavera polaca, não incomodaram muito e o frio só se faz sentir à noite. No dia seguinte foi percorrer os principais monumentos da capital, como por exemplo, o de homenagem às vítimas da II Guerra Mundial, a Universidade, o Museu de Chopin, celebrando-se os 200 anos do aniversário do músico. Pelas ruas da cidade encontramos bancos especiais, situados em sítios relacionados com a sua vida musical e onde se pode ouvir alguns excertos das suas obras.

Tempo ainda para visitar o jardim Lazienski, onde aos domingos se fazem concertos gratuitos junto à estátua de Chopin. Infelizmente era sábado e no dia seguinte já estaria de regresso a Milão. Mas para compensar, vi uma panóplia de animais à solta neste jardim, pombos, patos, um gato, pavões, uma espécie de corvos cinzentos  e pardais e também esquilos.

À noite, o aeroporto de Varsóvia esperava-nos… e assim veio o “penta” em noites no aeroporto. Com um voo às 6:00 da manhã para Milão, não restavam hipóteses de transporte para evitar esta soneca sentado num banco. E, desta forma, me despedia da Polónia com uma conclusão: dos 3 países do Leste que visitei (Hungria, Roménia e Polónia) foi aqui que encontrei uma maior simpatia, pessoas que mesmo não falando muito inglês, oferecem-nos uma boa hospitalidade e tentam ajudar-nos, “os picas” nos comboios e os funcionários nas bilheteiras são muito mais simpáticos e acessíveis. Aqui notam-se já sinais de “ocidentalização” apesar de não perder o seu carácter original. Destes 3 países foi o que mais me agradou e não foi preciso uma noitada polaca para o afirmar…

IV – Milão… “como um peixe na água”

Esta é a expressão que me veio à cabeça e tem dois sentidos possíveis. Primeiro porque foi um dia marcado pela chuva forte e que não parou desde as 9:00 às 18:30. Ainda bem que os “escuteiros” passam por entre os pingos da chuva e assim fiz a minha terceira aparição por Milão. Chegado a “Milano Centrale”, comprar o mesmo bilhete que me foi “oferecido” na Manif da Libera. Por 3€ compra-se um bilhete válido por 24h e pode-se andar de metro, tram e autocarro.

Assim, foi só rumar ao centro, sair do metro em Duomo. E aqui chega o segundo sentido da tal expressão. Senti-me como conhecedor de todos os recantos dos principais locais visitados, relembrando com nostalgia a visita de 2006. Desta vez, domingo de Páscoa de 2010, começou-se pela grande admiração logo ao subir as escadas do metro e “dar de caras” com a maior catedral gótica da Europa. Ali logo do lado direito, supostamente encontrava-se o posto de turismo, mas como está em construção o Museu “900” passou a estar alojado na cave do Arquivo Histórico, no lado esquerdo da praça. Com o mapa na mão e após uma excelente recepção e indicação turística (tal como em 2006) saí para visitar as Galerias Vittorio Emanuele II, onde de novo rodei 360º nas bolas do touro, diz-se que é para dar sorte. Para além dos habituais japoneses, a cidade encontra-se repleta de espanhóis. Com o metro, porque a chuva estava “cair bem”, traço o trajecto, passando pelo Castello Sforzesco e a sua planta em forma de estrela de 6 pontas, pela Basilica de S. Ambrogio, pela S. Maria della Grazie, onde ao seu lado se encontra o Cenacolo Vinciano, que alberga o famoso quadro de Da Vinci com a Última Seia de Cristo. De novo foi só a visita por fora ao estádio San Siro, ao qual numa próxima terei que ir ver o Mourinho e o seu Inter.

O fim deu-se por volta das 18h com o regresso à estação e uma viagem de 2h de comboio até Asti, com 4o min de espera em Voghera, pena não haver regionais directos! E às 21h estava em casa, a precisar de um banho quente para a dor de costas e de repouso pois terça já se volta ao trabalho.

Fiquem por aí… até uma próxima!

JFSF

Scouts…week…end?!?

Fez na quinta-feira, dia 18, exactamente 7 meses que estou neste projecto… e nada melhor para celebrar mais um “aniversário” que aventurar-me a outros rumos, que já não percorria à muito tempo. E foi assim, que comecei quando nesse dia confirmei que iria com os escuteiros de Asti, no sábado dia 20, à “manifestazione Libera” contra a máfia em Milão. Tinha, deste modo, acabado de garantir uma alvorada às 5:00 da manhã, pois o autocarro arrancaria às 5:30 da manhã!!! A vida de apoiante da causa/manifestante não é fácil…

E pouco depois, chegava o momento mais “duro” destes últimos dias… sabendo que na sexta se iria realizar uma grande cerimónia escutista em Antanhol, especialmente para 3 grandes amigos… tomei a iniciativa de pôr mãos ao trabalho e seguir em frente com a ideia de dar o meu testemunho para as suas “partidas de Clã”… Agora à última da hora tinha de sair qualquer coisa da cartola!

Já passava das 23:30 quando comecei com o esboço mental deste testemunho… e pouco depois já estava o Premiere aberto e a trabalhar… este processo estava condicionado só pelo facto de depois ter de enviar o testemunho via web para Portugal para que chegasse a tempo. Assim, para além de não ter grandes imagens para “decorá-lo” e vídeos ainda mais difícil seria… depois a qualidade do vídeo que teria der ser o mínimo dos mínimos. Com isto, seria o conteúdo da mensagem o mais importante e não a beleza de como esta mensagem seria transmitida. Foi aqui que surgiu a ideia de um video de “fundo preto com letras brancas”… e que seria o poder das palavras a fazer a diferença. Escolhi então as músicas ideais para a mensagem que queria passar para eles… depois com o avançar da noite viria todo aquele texto e todas aquelas memórias, algumas difíceis de resgatar à memória pois vinham dos tempos em que tinha menos de 15 anos…

O cenário de directa completa já era mais que óbvio… e então fui trabalhando a um ritmo lento e a desfrutar também eu dos momentos de trazer para a frente estes belos momentos passados… e eram 8:30 quando o vídeo estava acabado e depois era fazer o “encoding” para o formato vídeo que ocupasse o menos espaço possível. E por difícil que fosse às 10h da manhã estava no local de trabalho com cara de zombie e com uma dificuldade brutal em ter os olhos abertos.

Apresento-vos o meu companheiro de directa... o Premiere

Acabado o dia de trabalho à tarde, após ter mostrado o Quark e como montar um jornal à redacção do Menabó, foi regressar a casa e preparar a carta de introdução ao testemunho, pois sentia que era necessário todo aquele contexto primeiro do vídeo. E por estranho que parecesse não conseguia dormir, apesar de ter adormecido por uns 10 minutos com a cabeça quase a cair para cima do teclado do portátil.

Em breve viria o acordar para preparar a farda, pois finalmente após mais de 7 meses voltaria a vestir o uniforme escutista e poucas horas depois lá estava a pé e a sair de casa para apanhar a boleia da chefe de Clã, Elisa, para depois então entrar no autocarro com destino a Milão. Quando chegámos a Milão, percebemos então, após estar uma hora a tomar o pequeno almoço num café, que poderíamos muito bem ter saído de Asti mais tarde… entretanto fomos para o local do início da marcha, que iria terminar na praça principal de Milão… a Piazza Duomo. O tempo não era o melhor, pois a chuva “miudinha” surgia de vez em quando, mas podia ser bem pior…

A melhor faixa do dia...

Após um percurso de pára-arranca de 1 hora e meia… finalmente chegávamos ao fim do percurso e, como foi nostálgico rever 4 anos depois aquela praça, onde o destaque vai para a maior catedral gótica da Europa, o Duomo… exactamente o mesmo edifício que, sob a forma de mini-estatueta, partiu as tromb… os dentes ao Berlusconi. Desta vez, não se encontra em obras e tá completamente restaurado, já não se encontram os andaimes, decorados pela Madonna com as roupas da H&M, na sua fachada lateral. Ali ao lado lá estão as Galerias Vittorio Emanuele II. Ao mesmo tempo que admirava toda aquela enorme praça, ouviam-se os nomes das pessoas que foram mortas pela máfia. Terminado, o longo discurso e toda a cerimónia, veio o almoço, dois “panini” comprados no café da esquina e seguimos para os vários seminários temáticos, mas com o número de horas de sono bastante reduzido nas últimas duas noites, foi uma operação complicada apesar de ser um seminário em inglês… do 2º discurso só me lembro das palavras “Tratado de Lisboa” e dos aplausos no fim do discurso, momento em que acordei…

No regresso à estação de metro… encontramos o que é a versão gratuita de “danças de salão”… grupos de jovens, maioria asiáticos ou sul-americanos, aproveitam o espaço subterrâneo entre as duas portas da estação Porta Venezia para dançarem. Há quem dance as coisas mais tradicionais enquanto outros optam pelo break-dance.

Por volta das 22h chegava a casa… balanço feito, foi mais uma giornata com os escuteiros e que deu para manter o contacto vivo com eles, garanti a minha presença de novo com eles num aperitivo para dia 30 de Março e uma visita a um principado qualquer aqui perto no dia 5 de Abril. Não pude garantir a participação na actividade de Páscoa porque vou rumar à Polónia… Fora escuteiros, o balanço também foi positivo, pois posso vir a ser requisitado para ensinar português a italianos da associação Libera que vão para o Brasil, isto apenas após a senhora da Libera ter visto no uniforme escutista, o distintivo de Portugal e ter-me perguntado que “sendo português deves saber falar brasileiro?”. No fim da viagem viria a ser solicitado para ajudar numa tese de uma estudante italiana, amiga do meu conhecido italiano, que será sobre ciência política e terá uma abordagem sobre a democracia portuguesa… a ver vamos se serei contactado em breve para estes serviços.

Até breve

JFSF

4 dias na Roménia…

São 20:11 do dia 28 de Fevereiro de 2010… a espera no aeroporto de Cluj torna-se monótona e secante!!! Decido então aproveitar e rentabilizar este tempo escrevendo e contando-vos mais uma aventura neste SVE. Supostamente, daqui a pouco mais de meia hora estaria a aterrar em território italiano, no mais pequeno aeroporto onde alguma vez estive, mas pelos vistos, devo estar sob influência negativa, qualquer coisa relacionada, talvez, com o desvio de 2 milímetros de Saturno em relação a Plutão que numa diagonal com Vénus proporciona-me nada menos que uma onda de azar em alguns momentos. O meu voo de regresso da viagem de 4 dias à Roménia está atrasado 2h e corro o risco de não chegar ainda hoje a casa em Asti por não ter depois transportes (comboios e autocarros).

Tudo começou à quatro dias atrás, 24 de Fevereiro de 2010… 15:30 saia de comboio de Asti e às17:30 acabado de chegar a Fossano a estação de comboios onde depois iria apanhar o shuttle para o aeroporto. Já tinha vindo mais cedo do que previa porque afinal, após telefonema da minha tutora para obter informações, fico a saber que o shuttle a cada meia hora para o aeroporto deve ser fictício e que a ultima ligação para lá hoje é às 18:15 mas o voo é só às 20:45. Ora bem passou meia hora e nada de carrinha (shuttle), após dar mais 10 minutos de margem de atraso, afinal de contas estamos em Itália, decido ligar para o número da companhia. Pressiono e dramatizo um pouco a situação e pouco depois já me vinham buscar à estação, tipo cliente VIP (ou não) apesar do shuttle das 18:15 já ter passado. Ou era transparente ou não sei, mas depois lá percebi que se calhar era aquela carrinha cinzenta que por volta das 18:10 passou no local mas que não parou. Após fazer o percurso, chegava à conclusão que bastava ter trazido como bagagem a “mochila dos escuteiros” às costas em vez do pequeno trolley e tinha arriscado fazer o percurso a pé porque não era assim tão longe ou difícil… eram somente uns 10km.

Dez minutos depois acabava o serviço VIP, pois foi-me cobrado o mesmo que ao “comum mortal”, ou seja 7€. Após isto pasmo-me ainda mais, com o aeroporto de Cuneo, nomeadamente com o seu tamanho, candidato a um dos aeroportos mais pequenos do mundo. Para terem noção, este aeroporto tem umas instalações que equivalem praticamente às do Aeródromo de Antanhol. Agora sim parece que o senhor Pina Prata sabia do que prometia, quando se candidatou às eleições autárquicas. Um aeroporto em Coimbra não é impossível apesar de o parecer.

Mais tarde chegava à Roménia. Aeroporto de Cluj era onde dava os primeiros passos na minha primeira visita ao Leste da Europa. Depois de Itália, Finlândia e Holanda… o meu destino era este país verdadeiramente “estranho”. Passo a explicar mais a frente… Retomando o fio à meada… 23:15 primeira estupefacção… depois de entrar no aeroporto e ao dirigir-me para a saída, vislumbro uma fila para controlos de segurança para controlar os passaportes. Ah pois… isto a Roménia pode estar na UE mas continua a ser obrigatório a fazer uma pit-stop para mostrar o passaporte ou documento de identificação. Pela primeira vez dou uso ao passaporte e respondo a algumas perguntas como… “É a primeira vez que vem à Roménia?” ou “O que é que vem cá fazer?”. Esta última é deveras interessante, porque qualquer indivíduo mal-intencionado irá, obviamente, dizer as suas pretensões maléficas em frente à polícia. Sem dúvida… mas como este não era o meu caso, lá respondi que estava de visita por 4 dias.

Após isto, uma espera um pouco preocupante pelo Bruno, “voluntário europeu” português em Oradea a quem iria retribuir a visita, dado que ele esteve em Asti à duas semanas atrás. Ora pois, o Bruno não estava à minha espera no terminal de chegadas e o tempo passava e, na minha cabeça, já se supunha que ele, às tantas, só me esperaria na estação de comboios. Preocupava-me também um pouco o facto de não ter “Leis”, a moeda romena, e não saber ao certo quanto custaria o transbordo até à estação, correndo um elevado risco de ser “chulado” mas pronto 35 minutos depois lá chegou ele e fomos de táxi para a estação. Pasmo-me com o taxista que fala inglês melhor que os outros taxistas, à porta do terminal e que apenas usam os “chavões de inglês” mal uma pessoa mete um pé fora da porta… parecem cães esfomeados atrás de um osso.

Chegamos à estação e vemos que, segundo o placard de partidas, que só temos comboio às 2:28… pois bem um paleio e uma caminhada cá fora, porque a sala de espera estava com odor a “sulfato de podre” – não tanto como a sala de espera de Budapeste, mas também não lhe fica muito atrás – e assim só aguentámos um minuto lá dentro.

Enquanto esperávamos numa estação de tram, fomos interrompidos pela simpática polícia romena, que imediatamente pede os passaportes, destaque para o sorriso quando viram que tinham na frente dois portugueses. Continuando a sua atitude de simpatia, somos imediatamente recambiados de volta para a estação, pois se estamos à espera de um comboio devemos fazê-lo na estação, assim justificam-se os polícias. Ora toca a esperar mais um pouco em pé e, pouco depois, chega o clássico comboio que parecia ter saído de uma espécie de museu da antiga URSS.

Por falar em comboios, apesar da Roménia ter uma das mais densas redes ferroviárias da Europa, este comboio para fazer 160 km de Cluj a Oradea demorou umas 4h. Outro exemplo, de Oradea para Bucareste (600 km) demora-se 12h. Assim, eram umas 6:30/7:00 da manhã quando finalmente chegávamos a casa do Bruno.

Pela manhã ponho-me a conversar com os companheiros voluntários do Bruno. Valério o italiano, Andreas alemão bizzarro e Nicolas francês. Desta conversa realce para a expressão do Valerio que prefere receber os 160€ para comida e pocket money que lhe dão na Roménia do que os 300 que recebo em Itália para os mesmos efeitos. Segundo ele consigo poupar porque não fumo. Quanto à bebida, digo-vos somente isto… eles encontram-se num dos “paraísos fiscais da noite” pois enquanto eu pago, no mínimo, 2,50 por 20cl de cerveja eles com isto bebem o triplo. Falamos um pouco dos nossos projectos e, entretanto, chega a hora de almoço.

Durante a tarde, um passeio pela cidade, percorrendo os sítios principais, pois apesar de a cidade ter muitos habitantes, os sítios de interesse não são assim tão abundantes. As ruas estão decoradas com pequenas bandeiras da Roménia e da cidade. Segue-se uma partida de ping-pong, no Centro Cultural, por 1,50€ por meia hora de jogo muito bem disputado e equilibrado, terminando com um 4-3 para o “romeno” mas com uma clara desvantagem quando nos últimos dois jogos as luzes apagaram-se e, também convém referir que a forma física não era a melhor, estando uns furos abaixo da média.

Regressamos a casa, pois era tempo de trabalho mesmo em dias de férias. Como neste momento, após a fuga “gaulesa e flamenca” estou sozinho no meu projecto e a mãos com duas transmissões na rádio, a minha própria “Ascolta Tuga” com gravações semana quinzenais e a “Punti di Svesta” mensal que sozinho torna-se difícil de gerir. Mas pronto, aproveitando esta viagem e o contacto com outros SVE’s, porque não fazer qualquer coisa do género uma entrevista de onde se extraia uma visão de como é a vida destes voluntários europeus na Roménia. Uma hora e meia de conversa bastante animada e que voou sem que déssemos conta, largava o trabalho e podia dedicar-me inteiramente às férias.

Se na Itália, há o hábito de ao fim da tarde/inicio de noite os bares servirem o “apperitivo” – onde se paga um valor por uma bebida (o que fiz em Turim custou-me 5€) e pode-se comer o que quiser do buffet servido – Aqui na Roménia, em Oradea, é melhor… chama-se Happy Hour, ou seja, das 17h às 20h as bebidas são mais baratas. Felizmente ainda chegamos a tempo para os últimos 20 minutos deste período e veio então meio litro de Heineken pela módica quantia de 60 cêntimos! E atenção porque a cerveja mais barata já tinha acabado!

Trata-se de um bar húngaro bastante interessante e decorado originalmente a um nível de um “Feito Conceito” em Coimbra, mas de “segunda liga” de bares. Chega o intervalo para jantar, Mcdonald’s para ser mais prático e, mais uma admiração… Um McMenu normal que em Asti fica no mínimo a 5,90€, aqui fica-se pelos 10 Lei (2,75€)! Pena é que aqui também não há aquele molho fantástico para as batatas que temos em Portugal!!! Devemos ser únicos… Será?

Retornados ao bar porque a noite só acabaria às 3h da manhã… pelo meio mais meio litro de cerveja, shot de Tequilla com direito a sal e limão, isto depois de duas coca-colas, porque em 6 meses o Bruno não sabe pedir duas cervejas no bar “Lord’s” que pelo que dizem é o melhor da cidade! Sabíamos que dentro daqui a umas horas estaríamos a levantar-nos para rumar a Sibiu, a segunda cidade do roteiro. E assim foi…

O meio de transporte original não foi autocarro, comboio, avião ou barco…não foi mota nem carro, mas sim camião! Por estes lados é normal andar-se à boleia. Assim este camionista foi o primeiro a parar nos 15 minutos totais que pedíamos boleia e foi quando era o meu “turno” para segurar a folha com “Cluj” escrito.

Após isto foi uma estrada esburacada, pois neste país as auto-estradas são uma coisa da modernidade e ainda em construção. Podemos dizer que a Roménia se encontra, neste momento, na sua “Idade de Betão” aquela que Portugal também teve depois de 86 até meados da década de 90. Mas o pior mesmo é a condução romena!!! Enquanto o Bruno dormia, na parte onde os camionistas descansam nas suas pausas, eu ocupava o lugar do pendura quando o camionista decide ultrapassar um velhinho Dacia e… a meio desta manobra, em plena faixa contrária, aparece outro camião de frente ao fundo. Palavrões em romeno e la tenta ele voltar à sua faixa e reduzir a velocidade, mas o velhinho e vagaroso Dacia ainda estava a ocupar o “espaço vital” do camião e assim não conseguia voltar à faixa. Passou-me pela cabeça já uma grande travagem de camião e o fatal “choque frontal”. Felizmente, como por milagre, o Dacia parece que encolheu e o acidente evitado. Atenção que este já era o segundo incidente rodoviário, o primeiro tinha sido uma travagem brusca, após ver carros a uma velocidade reduzida mais à frente, isto porque íamos com uma relativa velocidade excessiva para camião. Agora percebo o resultado da velinha que meteram por mim à Nossa Senhora dos Aflitos! Obrigado a tal pessoa.

Três horas depois acabava-se a boleia, estávamos no “parque de repouso” para camionistas a 14 km de Cluj. Toca a fazermo-nos à estrada de novo e decido que devemos arriscar uma nova boleia. Folha na mão e andando ao mesmo tempo… 1km depois tínhamos a segunda boleia garantida, o momento é que não era o ideal porque o Bruno estava a “mudar a  água às azeitonas”, mais um êxito para mim na requisição de boleia. Se para trás ficavam as povoações onde se viam pessoas a pedir boleia e galinhas no meio de uma curva… agora enfrentávamos uma condução “estilo Colin Mcrae”, este condutor num Audi A3 fazia ultrapassagens pela direita quando não havia duas faixas mas sim só uma berma de alcatrão. Parecia aqueles vídeos de perseguições nos EUA que por vezes surgem nos filmes. Felizmente a viagem foi curta e chegamos “inteiros” ao centro de Cluj.

O próximo passo foi apanhar um táxi para um local, já referenciado por outros voluntários que tinham feito o mesmo percurso à boleia, contudo desta vez estivemos mais de 1h à espera de uma “alma caridosa” que parasse. Porém tardou mas acabou por aparecer. Mais um longo caminho (150km) com um romeno de meia idade que só reclamava com o tráfego. Pelo menos deu para dormir e chegámos a Sibiu por volta das 15h da tarde, onde na sua via principal de acesso têm pequenas bandeiras da UE e da Roménia nos postes de iluminação.

As expectativas eram altas, já que alguns me diziam que era a cidade mais bela da Roménia e que também tinha sido a Capital Europeia da Cultura em 2007. Infelizmente perdemos 1h a encontrar a casa do couchsurfer que ia hospedar-nos. Tipo estranho mas com uma mãe de 60 anos simpática e que nos ofereceu sem hipótese de recusa o jantar e o pequeno-almoço e uma merenda para o outro dia. Pelo meio ficou uma visita nocturna ao centro histórico de Sibiu que é o encanto da cidade e que foi a imagem de marca em 2007. Por todo lado vêm-se ainda as referências a este título europeu concedido. São 2km de perímetro de “cidade velha” recheada de históricos edifícios dos séculos XIII ao XVII bem preservados e com tons coloridos nas paredes, bem como as ruas em pedra. Tudo isto circundado por uma muralha velha e com várias torres, como se um castelo/forte se tratasse.

Na manhã seguinte, decidimos apanhar um autocarro para Cluj, pois não havia comboios de manhã (em todo o dia só havia 2 comboios) e à boleia podia ser difícil e sermos deixados no meio do nada.  A chuva estragava um pouco o dia, mas a pior noticia tinha sido durante a noite, onde por motivos de emergência tínhamos perdido o couch de Cluj e que ainda estávamos a aguardar respostas dos outros pedidos feitos na véspera. Com algumas negas de alojamento, chegamos a Cluj ao meio-dia e fazemos caminho para o Dormitório XI do Complexo universitário II de Cluj (sugestão da couch que nos tinha “deixado na rua” à última hora). Tratava-se de um autêntico bairro de estudantes, como se uma vila se tratasse, onde nem supermercados faltavam e os habituais bares. Tudo isto junto a um conjunto de vários dormitórios, que pareciam ser bastante novos, localizados nas redondezas do campus. Não havia porteiro no dormitório mas havia uma campainha, porém por sorte conseguimos entrar e bater nas portas das amigas recomendadas. Lá acordámos a estudante francesa Lorraine de Erasmus em Cluj, que apanhada completamente de surpresa foi-nos verdadeiramente prestável, oferecendo de imediato a disponibilidade para deixarmos as malas ali e que ia tentar arranjar no dormitório algum local par dormirmos.

Saímos então para ver a cidade, debaixo da típica “chuva molha tolos” e depois decidimos ter um encontro com outra couchsurfer. Conversa interessante sobre os dois países representados (Portugal e Roménia) e lá se passava o tempo até que por volta das 17h tínhamos finalmente sítio para dormir confirmado. Sendo assim, fomos sair com este grupo de estudantes erasmus (Hungria, Alemanha e França) para um bar agradável e mais umas cervejas baratas e conversas multiculturais. Após fomos para uma festa de carnaval, com grande furor com Gypsy Kings e outros. Por volta das 2:30 regressa-se e faz-se um mini convívio nas escadas. Depois foi dormir até tarde, acordar, arrumar as cenas e rumar ao aeroporto… o resto já sabem e imaginam o desfecho… 2h a mais de espera no aeroporto, autocarro às 23h para Turim e último comboio para Asti e finalmente à 1:30 da manhã acabava finalmente deitado na minha cama, no meu quartinho verde…

JFSF

3 x 1 = 1 x 3 ???

Deixem lá de fazer contas e de queimar os neurónios, que eu explico já de seguida o significado lógico deste título. Ora bem o que se passa é que os últimos tempos não foram muito fáceis e o tempo para escrever posts novos não surgiu na agenda. Assim, vejo-me obrigado a transformar o que seriam três posts diferentes num só único post.

“Turim Carnavalesco…Vabin Street Parade… Torino capitale europea della giuventù… Moviti Torino!!!

Com esta ideia se resume um fim de semana bem passado em Turim, que começa a ser a cidade das “escapadelas” à invernal monotonia astigiana. Tudo começou a meio da semana (Quarta-feira 10 de Fev.) quando chegou a Asti o Bruno, meu amigo voluntário português neste momento a ser “Sviano” em Oradea, na Roménia. Neste dias de semana, foi a minha companhia no trabalho, viu a Radio Dietro, foi “vítima” de uma entrevista na Spleen Webtv (orquestrada pelos meus “pupilos”) onde nem precisou de tradução para as perguntas em italiano e acabou por ter nota positiva no final! E não podia faltar a visita nocturna ao Diavolo Rosso, a  igreja que é um bar!!!

Diavolo Rosso - Asti by Night

Mas com isto chegou o fim de semana… era tempo então de “perder os três”  em couchsurfing (ainda só tinha participado num urban hike de couchsurfers) e pela 4ª volta embrenhar-me nas ruas largas e paralelas de Turim. Durante a estadia, conhecemos a Marianna que nos aceitou como couchesurfers e que nos apresentou a Alicia, ambas frequentam o 1º ano do curso de RI “cá do sítio”, as cadeiras eram muito semelhantes. Muito bom o convívio nocturno e com um belo jogo de dados.

Mas o destaque foi principalmente para sábado (13 Fev.)… Devido a Turim ser Capital Europeia da Juventude neste ano, foi organizada uma street parade. A “VabinParade – Youth Street Festival”  iria começar no centro de Turim (Piazza Castello) e pelas 15h – depois de mais uma vez ter subido à varanda da Mole e enfrentar o elevador de vidro (desta vez não meteu tanto medo) e estar a contemplar Turim a 86m do chão – as pessoas já se aglomeravam e as carrinhas iam já testando os efeitos sonoros e alguma decoração carnavalesca que combinava com as vestimenta de alguns que por ali andavam. E lá começamos, mas para combinar com aquele sonoro electrónico faltava qualquer coisa no sangue e que não fosse substâncias ilícitas, apesar do aroma delas andar no ar… foi então hora de ir para o supermercado (que não foi fácil de achar, penso que Asti tem bem mais “Di per Di’s” que Turim) não podemos optar pelo vinho pois não havia maneira de sacar a rolha, a cerveja era mais económica mas era “leve demais”, assim sendo a opção foi Martini Rossato para provar claro. Garrafa esvaziada, animação no ar e não havia fim à vista no percurso, já há um bom bocado que tinha deixado a zona que conheço da cidade, a escuridão ia aumentando mas a musica dominada maioritariamente pela electrónica não dava sinais de descanso, mas os nossos pés e pernas já iam dando sinais de fadiga… e desta forma tivemos a coragem então de subir para cima de uma das viaturas, neste caso um atrelado de camião. Continuámos até ao momento em que mandaram sair, parece que tínhamos chegado ao final do percurso. Depois de olhar em volta, vi que estávamos num sitio que me era familiar, reconheci o Borgo Medieval, local visitado na minha última “incursão torina”. Mesmo assim, quem tem boca vai a Roma e perguntei como podia chegar ao centro de autocarro ou a pé. O regresso, diziam que eram uns 3km mas optámos pelo autocarro. Mais uma vez a fazer uso da bela língua italiana, pergunto a uns jovens estudantes, que esperavam na paragem, qual o autocarro que ia para o centro. Mas o momento hilariante está quando eu pergunto se é preciso bilhete. Resposta óbvia do outro lado: Sim! Mas mesmo assim, insisti “Mas é mesmo, mesmo preciso bilhete?” E aí sim veio esta bela resposta aqui traduzida para português: “Não pah! Mandas f**** o “pica” se ele aparecer!!!” E esta foi a deixa para mais um momento de convívio e conversa em italiano. (Cada vez mais tenho a tese de que se estivesse a fazer um SVE em Turim me perdia nesta cidade com um espírito cosmopolita e juvenil). Pena foi que o Bruno perdeu os Dvd’s da videocamera onde estavam os vídeos desta magnifica experiência.  Mas aqui ficam algumas imagens…

Aqui fica o video colocado na página oficial do evento…

De 3 para 1…Desistir, nunca!!!

Chegado a casa, domingo a noite, estranhava o facto de estar sozinho em casa, mas pensava eu que as minhas companheiras de casa tivessem de férias para o Carnaval. Mas na manhã seguinte chegava-me a confirmação de que se tinha tratado de uma “fuga”, sim porque na segunda de manhã, os responsáveis italianos ainda esperavam pelas avecs, esperança que desvaneceu totalmente quando reportei o facto de os quartos estarem vazios e “como novos”. Assim, agora passava-se para uma crise momentânea de ter um projecto de SVE preparado para 3 voluntários e que agora restava só 1… Tivemos que reformular todo o projecto para que um voluntário, eu, não tivesse sobrecarregado com o trabalho que era para 3 pessoas. Pena daqueles que receberam um não no processo de selecção e não puderam desfrutar desta experiência, que algumas pessoas não sabem aproveitar e decidem fugir e “meter o rabo entre as pernas” quando surgem adversidades. Eu… desistir, nunca. Não está no meu carácter virar costas aos problemas, eu decido enfrentá-los de imediato, posso por vezes como o caracol, refugiar-me na minha “casca” mas continuo a prosseguir o meu caminho. Foi isso que fiz quase desde as primeiras semanas quando rebentou a “bomba” e que acabou com qualquer relacionamento possível com as outras voluntárias. Passei a ignorar provocações e não “pôr mais lenha na fogueira”, era uma espécie de clima de Guerra Fria, como se os EUA antecipadamente já adivinhassem que a URSS “iria ao fundo” no futuro próximo. Eu sabia que ia aguentar esta situação, pois a minha paixão ao projecto e a todas as suas envolventes indirectas eram bastantes superiores a estes míseros pontos negativos. E acabou-se por confirmar… elas “fugiram”, sim (se vocês se encontrem a ler isto, sim tu Céline e Aurélise, que se deram e, se calhar ainda dão ao trabalho de ler o meu blog na minha língua – facto que me deixa lisonjeado) vocês fugiram. Na minha opinião e felizmente não sou o único a pensar deste modo, o que vocês fizeram foi fugir, sem terem a noção da responsabilidade, do respeito para com as pessoas que vos acolheram por 6 meses, pelo projecto de SVE, pela ideologia do voluntariado,  enfim mas a decisão foi vossa e já está tomada… Ao invés, eu vou continuar com a filosofia de que o dia 18 de Setembro de 2009 foi “o primeiro dia do resto da minha vida”, já passaram 6 meses e olho para esta parede e sinto mesmo o slogan de Turim Capital Europeia da Juventude: Your Time!!!

Aqui estão 160 dias...

“The Show Must Go On!!!”

Nem mais!!! O trabalho continua, recebi o apoio daqueles que são fundamentais e os pilares na minha relação com o projecto, vou continuar a “surfar na onda” tal como o nome do projecto assim o pressupõe! Entretanto já foi para o ar mais um programa de “Ascolta Tuga”, desta vez dedicado à música da década de 70, toda aquela voz revolucionária de Zeca Afonso, que me deixa motivado a lutar pelo que quero e acreditar que não há impossíveis! Também nas últimas horas foi publicada mais uma das minhas aparições na Spleen Webtv. Eis o video muito cómico, onde se faz a promoção do projecto “Dietro la Musica” que consiste na abertura de uma sala de ensaios, onde músicos menores de 18 anos tem a possibilidade de tocar durante as tardes de segunda, terça e quinta ( Para Mais detalhes vejam o novo video Conferenza Stampa em http://www.spleenwebtv.it que foi montado com as minhas imagens. Aqui estão dois minutos dos cerca de 20 totais que passamos para fazer este videopromo. Obrigado Alessio! Bom Trabalho! Quero os momentos “cortados”!!! Depois disto só me espera uma final do Ídolos…

Dietro la Musica

Agora, quarta dia 24, vou rumar a outros ares… Roménia será o meu destino por 4 dias. Fiquem por aí e esperem pelas “frescas romenas”, garanto que vão estar aqui publicadas, no meu regresso a Asti. Até lá…

JFSF

Ascolta Tuga… a estreia

Mais novidades destes lados italianos… de Asti para vocês

Um dos meus projectos é trabalhar numa web-radio (Radio Dietro) e propuseram-me já algum tempo em fazer uma transmissão própria para a Rádio… então depois de pensar sobre que coisa falar neste tempo de antena radiofónico, lembrei-me que uma das recomendações que fazem para quem faz este tipo de voluntariado (SVE) é mostrar a cultura do nosso país. Assim, porque não mostrar o que melhor foi e, ainda é feito em termos musicais nesse belo país à beira mar plantado… e desta forma começou a surgir a estrutura da “Ascolta Tuga” (ouve tuga) e que vos venho pedir para ouvirem então a melhor música portuguesa dos últimos 50 anos.

Nesta estreia, estiveram em destaque a música da década de 60… eis a playlist que foi transmitida:

Madalena Iglésias “Ele e Ela”Manuel Freire “Pedra Filosofal”; Carlos Paredes “Verdes Anos”; Amalia Rodrigues “Povo que lavas no rio”; Adriano Correia de Oliveira “Trova do Tempo que passa”; Zeca Afonso vi lascio “Canção de Embalar”; José Cid em Quarteto 1111 “A Lenda de El Rei D. Sebastião”; Conjunto Académico João Paulo “Hully Gully do Montanhês”; Chinchilas “Calmas são as imagens”; Zeca Afonso “Vampiros”; Simone de Oliveira “A Desfolhada” e Carlos Paredes “Movimento Perpétuo”

Pelo meio ficaram a conhecer histórias de grupos musicais dos anos 6o, como era vivida a musica em tempos de ditadura e guerra colonial, com um destaque para a figura da década, Carlos Paredes. Recordaram-se canções que representaram Portugal além fronteiras, como a “Desfolhada” e claro está o “nosso” fado e o “movimento yé-yé marcante desta década.

A transmissão foi e vai continuar a ser em italiano, pois o objectivo é  aproximar a cultura portuguesa aos italianos e isto não seria possível, tão facilmente, se falasse em português.

Caso não tenham tido possibilidade de ouvir na quinta-feira, a transmissão será repetida na segunda feira dia 8 às 22h (hora portuguesa) através do mesmo link. Basta ir awww.radiodietro.org e no menu do lado esquerdo clicar sobre “Ora in Onda” (agora no ar) e escolher o programa para reproduzir e ouvir a transmissão do “embaixador” português em Asti.

Qualquer comentário que tenham a fazer, podem fazê-lo directamente neste post ou para este email (joaofsferreira@gmail.com) e digam de vossa justiça como ouvintes.

Espero-vos desse lado pelas proximas transmissões que vão ser duas por mês tendo sempre uma repetição (primeira e última quinta-feira do mês e repetições na segunda-feira sucessiva)…

JFSF

“Rebelhão” 2009-2010… Todos os momentos

29 de Dezembro de 2009 começava  esta viagem tão especial e única, pela primeira vez ia passar de um ano para outro  fora de Portugal. Para variar, correr para a estação e apanhar o primeiro de quatro comboios que me levariam ao encontro da Joana, que tinha saído dos seus Bosques em direcção a Veneza, para então juntos fazermos a viagem de comboio para Budapeste.

Mas… em Itália tem de haver sempre um “mas” à última da hora que altera tudo o que tinhas previamente planeado. Atraso na ligação de Alessandria para Piacenza, punha em risco o continuar da viagem até à cidade dos canais. Porém, lá consegui arranjar uma solução.

Ainda bem que os funcionários das estações e “picas” não estão muito habituados a bilhetes de interrail… com isto apanhei um comboio superior ao IC italiano, mas que é melhor ou igual ao nosso Alfa, sem ter de pagar o respectivo suplemento pois na estação mandaram-me à vontade para este comboio como alternativa ao comboio que tinha perdido devido ao atraso. E, para mais, fiquem chocados tal como eu fiquei, em 7h consegui atravessar o Norte de Itália de uma ponta à outra sem ter de “estrear” o meu bilhete de interrail válido para 5 dias de viagem, que assim graças ao ar de “burro a olhar para um palácio” dos “picas” quando viam o bilhete.

Encontro-me com a Joana, em Veneza S. Lucia, que já estava à minha espera ao fundo da linha e, depois dos devidos cumprimentos, fomos dar uma voltinha e talvez encontrar qualquer coisa para se comer. Assim, logo aos primeiros passos, a primeira ponte, o primeiro canal… ficamos maravilhados com a beleza de Veneza, apesar de a noite já ter caído sobre a cidade. Veio à cabeça logo a ideia de que tínhamos muito para ver, nos dias 4 e 5 de Janeiro, quando tivéssemos regressado da Hungria.

Depois de jantarmos umas belas fatias de pizza italiana à beira dos canais logo em frente à estação, à qual regressámos depois da barriguinha cheia… e “paleio puxa paleio” quando olhamos para o relógio tínhamos uns míseros 3 minutos para correr e entrar no comboio antes de ele partir, contudo missão cumprida!!! Restava agora espera 13h de viagem até chegarmos a Budapeste às 11h da matina. À partida esta duração não era nenhum pesadelo tendo em conta as condições do comboio húngaro. Instalámo-nos “à patrões” numa cabine para 6 pessoas, só para nós, mas logo na primeira paragem chegaram os donos daqueles lugares. Mais à frente, nova mudança de outra cabine de 6 para decidirmos então procurar dois lugares livres juntos, visto que os nossos “verdadeiros” lugares eram em pontos opostos do comboio.

Depois de passarmos “ a pente fino” 2 vezes o comboio de uma ponta a outra em pleno andamento, pelo corredor estreito com malas e pessoas pelo meio, portas que teimavam em abrir… decidimos ficar pela carruagem restaurante, visto que a parte do bar estava lotada e já em ambiente festivo. A Joana fica-se pelo chá porque está a tomar medicação (ganda galo!!!) e eu decido fazer antecipadamente o “test-drive” à cerveja húngara. A Déher foi a cerveja, que comprada e consumida num lugar público, em 4 meses me custou menos na carteira. 1,70€ comparado com os preços dos bares italianos é um valor bastante aceitável! E este foi o nosso poiso até chegarmos a Ljubljana, onde a Joana finalmente conseguiu fumar o seu cigarrito! Em Zagreb tentamos ir pelo menos para um dos lugares correctos dos nossos bilhetes, todavia estava implementada a confusão na carruagem com a polícia croata a pedir identificação a tudo o que mexia e ao que pareceu a expulsar os ocupantes (possivelmente devido a posse excessiva de drogas) da cabine para onde queríamos ir.

Após limparmos os restos de ganzas e garrafas, detínhamos o nosso hotel só ocupado por uma pessoa para além de nós, que pouco depois saiu… mas a festa demorou pouco porque logo depois chegou companhia de novo de pessoas que não eram daqueles lugares mas como até houve pessoas a ficarem nos corredores, era uma missão impossível conservar o “hotel” intacto até Budapeste. Resignados e encolhidos nos nossos lugares da janela, de frente um para o outro com as minhas pernas de um lado e as da Joana para o outro e, com a bela das mantinhas (da CP e da Halls, justa publicidade) para aconchegar, lá fechámos as pestanas até chegar a Budapeste.

Encontramos os outros companheiros do rebelhão… o Rui que tinha vindo no dia anterior de Lisboa após férias natalícias e o Bruno que da Roménia até ali aproveitou para umas experiências couchsurfing, na qual está, digamos assim, a tornar-se viciado. Finalmente estávamos juntos de novo desde aquele fim-de-semana de Setembro em Almada. Trocar os euros por Florints e seguir caminho para o hostel que nos ia abrigar as próximas duas noites. Após instalados num 4º andar de um prédio histórico de Budapeste, decidimos sair a rua para ver a cidade e almoçar.

Partimos então à descoberta desta cidade enorme e, que é justamente apelidade de “Paris do Leste”. É sem dúvida uma cidade com estofo para aguentar o calibre desta denominação. As suas ruas largas e direitas estão cheias de edifícios históricos e bem arquitectados, encontramos palácios ao virar das esquinas. Para além disto, tem os seus próprios “champs elysés” que nos levam à enorme Praça dos Heróis, infelizmente está um nevoeiro cada vez mais cerrado que nos tapa cada vez mais o horizonte para além dos 50 metros e as 16:30 parece que já são 19h. Continuamos a percorrer as ruas do lado “Peste” da cidade e traçamos o plano de comprarmos qualquer coisa num supermercado e comer no hostel. Ainda bem que há por estes lados em abundância supermercados abertos 24h. O jantar foi uma pasta à carbonara húngaro/italiana que ficou tipo massa consistente.

Por esta altura um dos nossos companheiros de “camarata” já nos fazia companhia, de nome Túlio, brasileiro, e como o mundo é pequeno era doutorando na Universidade de Coimbra pelo CES em Sociologia. Acompanhou-nos também na primeira parte da saída nocturna até ao bar – que depois dos dois Jagermeister’s seguidos para mim e para o Bruno e de um sumo de uva “saboroso” para a Joana – acabou por fechar logo depois… mas donde, à saída, tiveram a amabilidade de nos abrir a garrafinha de vinho que o Bruno guardava no casaco até ao momento. Na procura por outro bar, por entre os goles no vinho tinto BB (especialidade vinícola húngara) lá saem umas cantigas portuguesas das três gargantas. Enquanto a garrafa se esvaziava o Bruno insistia em fazer as suas versões “próprias” das músicas lusas. Voltas e mais voltas e encontramos o nosso segundo “pit stop” da noite… destaque para o brutal deja-vu que me deu ao ver aquela sala do bar numa cave com iluminação vermelha, bar à esquerda e pista de dança ao fundo. O Taborda “Casanova” tentou a sua sorte com uma “menina da noite” mas sem efeito pois ela preferiu o xulo de 2 m de largura e 120 kg. E assim pouco depois regressávamos ao hostel para ir ter com o João Pestana ao Vale dos Lençóis.

E desta forma chegávamos ao último dia do ano e da década, com uma manhã um pouco problemática porque o Vale dos Lençóis é profundo e por vezes temos dificuldade em escalar a “montanha do despertar”… assim só o Rui é que conseguiu acordar no tempo combinado, com este atraso decidimos então ir à estação tratar do meu suplemento ao bilhete par a viagem de regresso, dos bilhetes para Kaposvar e também porque o Bruno decidiu à última hora juntar-se a mim e à Joana na visita a Veneza no regresso “a casa”. E aqui foi complicado, primeiro porque à portuguesa deixar as coisas para a última pode trazer surpresas desagradáveis, neste caso o que passou foi que o comboio de regresso de Budapeste para Veneza já se encontrava cheio, ou seja nem eu nem o Bruno tínhamos lugar no comboio e a Joana teria então de fazer a viagem sozinha, felizmente eu sabia de uma alternativa que era o comboio que em vez de ir por Zagreb e Ljubljana, iria por Viena, havia lugares livres e assim tinha a minha situação resolvida, contudo ainda me assustei quando a funcionária me pede 1890 florints e fiquei meio parvo com esta exorbitância que me estava a ser cobrada pela reserva de lugar, depois lá percebi que eram “só” 7€. Faltava pois tratar de arranjar maneira de levar o Bruno para Veneza… mas deixaríamos para depois, porque agora era tempo de visitar o que faltava de Budapeste e que não era assim tão pouco.

Fazemo-nos ao caminho porque já se fazia tarde e a escuridão vem cedo… pelo caminho para a famosa ponte sob o Danúbio, que é a “cara” de Budapeste e já se vão vendo pessoas com os seus sacos de plásticos recheados de bebidas para as últimas horas de 2009 e para as primeiras de 2010. Chegados às margens do Danúbio, impossível não ficar de boca aberta com o imponente Palácio situado no lado “Buda” da cidade e com as outras pontes sob o rio que divide a capital húngara. E melhor foi a vista do topo do monte que serve de miradouro de excelência de Budapeste com as luzes de Budapeste e porque o nevoeiro mais uma vez era fortíssimo e ameaçava estragar o que nós esperávamos vir a ser um fogo-de-artifício grandioso, já que o local era propício a isso.

Ai e tal as horas iam passando e já do lado de “Peste” decidimos adiar a ida ao Parlamento para quando regressarmos de Kaposvar. Assim decidimos ir ao restaurante chinês que já tínhamos visto no dia anterior. Um jantar na avenida dos “champs elysés” de Budapeste com uma aragem fresquinha… pois o “ar condition” não estava “hot”! Com as iguarias orientais no estômago siga na procura de um supermercado aberto para abastecermo-nos de álcool e as passas para a Joana pedir os desejos da meia-noite. Ao inicio parecia fácil mas os primeiros supermercados abertos 24h estavam vejam bem fechados!!! No entanto lá encontramos algo aberto e as bebidas iam desde a cerveja, passando pelo vinho tinto e pelo espumante e também a bebida, bem “matreira” com o seu sabor doce a ervas e o seu efeito retardado, Jagermeister que foi a responsável de aquecer os ânimos. Mas antes de começara festa ainda fomos ao hostel recarregar baterias e finalmente arranjar uma solução para o Bruno rumar a Veneza… iria de autocarro através da Eurolines.

Regressando às festividades… sob a magnífica ponte sob o Danúbio, onde o nevoeiro já se tinha dissipado um pouco, esperando da meia-noite. Com grande clima de festejo as doze badaladas passaram sob uma chuvada que era cada vez mais forte e com uma desilusão de fogo de artificio brutal… estes gajos não percebem nada disto!!! 1h depois da meia-noite festejos novamente, tínhamos que festejar também a entrada de Portugal em 2010. Continuava a cantoria portuguesa à beira rio enquanto procurávamos outro local para prosseguir a festa. Havia vários palcos com música espalhados pela cidade e assim fomos para um desses locais e depois de uns saltos onde encontramos um sapato de salto alto de alguma cinderela húngara (muito bem estimado e guardado por mim durante a noite e agora encontra-se no meu Memory Wall no meu quarto em Asti), seguiam-se os telefonemas da praxe e após já sentir os pés encharcados e gelados… vamos à procura de um bar quentinho.

E lá depois abancamos num bar que tinha um ambiente festivo, saem 3 cervejas para a nossa mesa, mas entretanto às 3h e picos, o efeito do “Jager” faz com que “as pilhas acabem” e acabei por arrochar na mesa do bar com a cerveja à frente. Quando pouco depois o cansaço bate a porta de todos e fomos para o nosso hostel, pois dentro de poucas horas estaríamos a apanhar o comboio para Kaposvar.

Foi mais ao menos isso o que aconteceu, tirando o facto de adormecermos, e em cima da hora andar apressadamente para a estação, mas o comboio das 7:45 já era… restou esperar na fria estação pelas 9:15 pelo próximo. Mais uma vez as mantas a darem jeito e lá aconchegados e congelados esperava-se impacientemente pela chegada do comboio.

Umas horas depois, eis Kaposvar, a cidade onde o Rui está a fazer o seu projecto SVE e fomos após chegarmos directos ao hostel onde ele está alojado, mesmo local do escritório onde trabalha, aliás a uma porta e um corredor de distância, isto sim é proximidade do local de trabalho! Depois de estarmos na parte quente do hostel, veio a cabeça a ideia de que parecia que estávamos em qualquer terriola das Beiras, a escolhida foi Celorico da Beira. Almoçar uns douradinhos que souberam a pato e depois sesta que o corpo é que paga e já não aguentava mais!!!

Recuperados e com um jantar no Macdonnald’s, vamos ver Kaposvar by night, uma coisa ligeira, pois era como se tivéssemos regressado à pré-época… também não havia muita coisa aberta e a cidade parecia deserta porque era feriado. Encontrámos um bar bem jeitoso e com uma boa música e aí já com a companhia do colega de quarto do Rui, o egípcio…. Uma conversa animada e acompanhada pela cerveja numa noite soft para aquecer os motores para a segunda noite em Kaposvar, onde estava previsto maior animação.

Dia 2 de Janeiro, visita turística a Kaposvar com 2 guias preparados que nos mostraram as ruas principais e os pontos de maior interesse. Casas com design original, um teatro, uma estátua com um húngaro que vence a ferocidade de um leão com um punho, etc. Chegávamos à estação, missão complicada para comprar bilhetes para o regresso a Budapeste – que se faria às 7h da matina – pois o inglês por aqui não é muito usual. Pior era explicar para fazer a reserva de lugar para mim, e isso ficou para a madrugada antes de apanhar o comboio.

Chegava a hora da party, mas chegámos à Retro Club, discoteca recomendada pelos hóspedes, e esta encontrava-se vazia… tínhamos contados os florints até ao último para pagarmos a entrada e aquilo estava “morto”!!! Mas com a pulseira deixaram-nos sair e podíamos entrar mais tarde. Assim, eu, a Joana e o Bruno fomos para o bar onde tínhamos estado no dia anterior, umas canecas de cerveja e mais uma conversa bem interessante. 1h da manhã, voltámos à Retro e agora sim o ambiente bem melhor e já com os 3 pisos mais compostos, curtimos uns bons sons, um show de dança e de festa animada que ia contagiando os húngaros… O Bruno foi ao chão a dançar e, claro que assim, afastou as possibilidades de “sucesso” naquela noite.

Regressa-se a casa, mesmo assim, satisfeitos da vida, arrepiados com o frio que se fazia sentir, e prontos para dentro de poucas horas estarmos a pé para seguir para Budapeste. Missão cumprida pois à segunda já não caímos no mesmo erro… levantar com antecedência e tirando o susto de não encontrar por momentos a minha carteira a meio do caminho, foi uma viagem tranquila e Budapeste com neve era o que nos esperava. Deixar as bagagens no depósito pois assim seria sofrível ver o que faltava de Budapeste. Com o plano do percurso já traçado, fazemo-nos às ruas frias. Ver de novo a catedral, mas agora de dia, e ver a mão do fundador da Hungria. Depois o enorme edifício do Parlamento húngaro, do qual não se pode aproximar muito, pois se queres passar em frente ao Parlamento, tem que se passar para o outro lado da estrada. Isto sim é respeito pela segurança! Mais umas fotos para servirem de postal, e o vento frio que deixava assim ditado o regresso aos arredores da estação.

Esperava-nos à tarde uma viagem todos separados e por percursos diferentes. Por sorte ou azar tive direito a um óptimo comboio austríaco para Viena e depois um “Allegro” também bastante cómodo para Veneza. A Joana entretanto tinha uma pessoa a encostar a cabeça no ombro dela e que incomodava o sono dela. O Bruno no autocarro não conseguia dormir. 3h da manhã chego a Veneza Mestre, estação que se encontrava completamente fechada desde a sala de espera aos cafés… assim foi esperar 2h ao frio pelo comboio ligação para Veneza S. Lucia, mais perto do centro da cidade. Após chegar a esta estação, tinha de esperar pelo Bruno que chegava às 6h da manhã. Chegou e abancou-se logo a dormir e percebeu, o que eu e a Joana tínhamos dito, de que a estação era gelada e os bancos também. Às 7h chegava a Joana e chegávamos a conclusão que não podíamos ficar a dormir na estação, porque o depósito das malas era caríssimo e com esse dinheiro compensava ficar num hostel. Porém o posto de informações só abria as 10h. Mas o nosso salvador chegou, e apresenta-nos um quarto num hotel de 3 estrelas por 20€ pessoa (preço bastante bom para Veneza) e com WC privativa, TV e dois pequenos-almoços buffet incluídos. Meio desconfiados com a oferta que parecia boa demais para ser verdade, íamos procurando pelo caminho outras opções, mas acabamos por ir para aquele pois era o melhor na relação serviços incluídos/preço.

Encher o bandulho no buffet enquanto esperávamos pelo quarto ser limpo, e lá arrumamos as coisas no belo quarto que superava bastante bem as expectativas. Na hora em que decidimos sair para ver Veneza, caia neve e isto complementava a já beleza da cidade dos canais. Pontes, edifícios um pouco degradados mas com grande encanto, palácios históricos por entre as ruelas estreitas que parece um pouco da “nossa” Alfama.

Do Rialto à grandiosa catedral de S. Marcos, fomos percorrendo os canais pelas diversas secções da cidade, sempre debaixo da neve que ia tornando-se cada vez mais fria… e parte da Praça famosíssima de Veneza, estava alagada pelo que tínhamos que andar sobre umas plataformas, estilo passerelle de moda… era tempo de fazer o percurso de regresso, pensávamos em ir jantar as belas fatias de pizza que eu e a Joana já tínhamos provado antes da partida para Budapeste. Porém, descobrimos umas pizzas enormes com um preço em conta e siga… depois de uma soneca, trouxemos a pizza para o quarto e de barriga cheia queríamos ir dar uma volta a ver Veneza by night, porém quando eu vou perguntar à recepção por algum bar por ali perto, a primeira reacção do recepcionista foi olhar com olhos arregalados para o relógio (eram 22h) e lá me disse dois locais ao fundo da rua, mas momentos depois percebíamos o porque daquela expressão… Veneza cidade perdida na penumbra e não muito bem iluminada, não tem grande vida nocturna visto que já estava tudo a fechar àquela hora, sendo assim torna-se a casa e nada melhor que um serão a ver uma aventura do cão K-9 em italiano, felizmente já estou habituado a ver alguma TV em italiano e dava para perceber e fui único a ver o final do episódio, os outros dois já “roncavam”.

Na manhã seguinte, o check-out foi feito ao limite, pequeno-almoço tomado era o contra relógio para ver mais algumas coisas da cidade e depois cada um ir para seu lado… eu ia apanhar os 3 comboios regionais que me iam levar até Asti de novo 8 dias depois; a Joana esperava para ir para o aeroporto de Treviso e rumar a Frankfurt e depois para os bosques, por último o Bruno ia apanhar novamente um autocarro para Budapeste e depois ver se tinha mas aventuras couchsurfing por Debrecen ou outro lado qualquer…

E foi assim que correu esta magnífica passagem de ano internacional, fomos poucos mas a diversão foi em alta e as aventuras ficarão para contar um dia aos nossos netos… Agora que venham mais viagens, mas isso já é outra história!!!

JFSF

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